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sábado, 30 de março de 2019

Santidade no Espírito


Nesse texto vamos abordar a santidade no Espírito, mais um fichamento de um dos capítulos do livro A busca da santidade.

Os nossos pensamentos são tão importantes para Deus como são nossas ações, e são tão conhecidos por Deus como as nossas ações. (Sl. 139, 1-4 ; 1Sm. 16,7). Jesus ensinou-nos no Sermão da Montanha que os mandamentos de Deus visam não só regular a conduta externa, mas também a disposição interna. Não basta não matarmos; é preciso que também não odiemos. Não basta que não cometamos adultério; é preciso que nem mesmo abriguemos olhares e pensamentos sensuais.

Da mesma maneira que devemos aprender a controlar os nossos apetites, também precisamos aprender a trazer o nosso pensamento em obediência a Jesus Cristo. De fato, Paulo alerta-nos contra tentativas mal orientadas, e erradamente motivadas, de controlar o corpo, que deixam o nosso pensamento sem freio (Cl.2,23). É possível refrear os apetites naturais do corpo, externamente, e continuar cheio de todo o tipo de poluição interna.

A Bíblia indica que o nosso pensamento determina, em última análise, o nosso caráter. Salomão disse: "porque, como imagina sua alma, assim ele é" (Pv. 23,7). É devido à importância do nosso pensamento que Paulo afirma: "finalmente, irmãos tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for de boa fama, se houver algo excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas (Fl. 4,8).

Como cristãos, não devemos nos conformar mais com o padrão deste mundo, mas antes renovar a nossa mente (Rm. 12, 1-2; Ef. 4,23; 1Pe 1,14). A santidade começa na nossa mente e se expressa nas nossas ações. Como isso é um fato, aquilo que nós deixamos entrar na nossa mente é muitíssimo importante.

Um estímulo a pensamentos impuros aos quais devemos estar alertas é o que os nossos olhos veem. Jesus alertou-nos contra o olhar sensual (Mt. 5,28). Jó fez um concerto com os seus olhos (Jó 31, 1). O olhar sensual de Davi foi quase fatal para a sua vida espiritual (2 Sm. 11,2). Não devemos guardar apenas os nossos olhos; precisamos velar para que nós não sejamos fonte de tentação para outros. Por essa razão, exige-se modéstia de vestuário e ações, tanto a homens como a mulheres (1Tm. 2,9; 5,2).

Numa das suas epístolas, Paulo enumerou alguns atos da natureza pecaminosa. Essa lista incluía a poluição do corpo, imoralidade sexual, impureza, dissolução, bebedeira, orgias e coisas do gênero. Outros elementos contantes da lista poluem o espírito: ódio, discórdia, ciúme, acessos de raiva, ambição egoísta, etc. Precisamos nos purificar não só dos pecados grosseiros do corpo, mas também dos pecados mais "aceitáveis do espírito".

Eis de novo um ponto onde nós, cristãos, temos falhado muitas vezes, e terrivelmente. Focando a nossa atenção sobre a lista específica dos "faças - não faças" do grupo, negligenciamos a vida interior, onde a inveja, o orgulho, a amargura e um espírito crítico e ressentido podem reinar sem impedimentos.

O espírito de inveja foi a raiz da guerra incessante que o rei Saul moveu contra Davi. A princípio, Saul estava muito contente com Davi e o colocou sobre os seus exércitos. Um dia, porém, Saul ouviu as mulheres de Israel cantar: "Saul matou milhares, e Davi, dezenas de milhares (1 Sm. 18,7). Saul ficou enraivecido por elas atribuírem dezenas de milhares a Davi, e só milhares à ele. A Bíblia diz então: "Daí em diante Saul olhava com inveja para Davi" (1 Sm. 18,9). Deus colocou cada um de nós no corpo de Cristo, conforme lhe agradou (1 Co. 7,17). A alguns Deus destinou um lugar de proeminência , a outros um lugar obscuro; a alguns designou um lugar de riqueza, a outros um lugar de luta diária para a satisfação das necessidades.

A cura para o pecado da inveja e ciúme está em encontrarmos o nosso contentamento em Deus. No Salmo 73, Asafe sentia inveja dos ímpios ao ver a sua aparente prosperidade (v.3). Achava que a sua busca duma vida santa era vã (v.13). Só quando conseguiu dizer ao Senhor "e na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti." (v.25) é que foi liberto do pecado da inveja.

Todas essas atitudes, inveja, ciúme, amargura, um espírito vingativo e incapaz de perdoar, e um espírito de crítica e maledicência, maculam-nos e impedem-nos de sermos santos diante de Deus. São tão perversos como a imoralidade, a bebedeira e a dissolução. Por isso, precisamos nos esforçar com diligência no sentido de arrancarmos da nossa mente essas atitudes pecaminosas. Muitas vezes não temos consciência de que nossas atitudes são perversas. Encobrimos esses pensamentos poluídos, sob o disfarce de justiça e indignação correta. Mas precisamos pedir diretamente ao Senhor que nos dê humildade e honestidade para ver essas atitudes pecaminosas como elas realmente são e, depois, a graça e disciplina necessárias para as arrancarmos da nossa mente e as substituirmos por pensamentos que agradam a Deus.


Referência:

BRIDGES, Jerry. Santidade no Espírito. In:____. A busca da santidade. Brasília, DF. Ed. Monergismo, 2013. cap. 6, p. 123-130.