domingo, 5 de fevereiro de 2023
Obediência: característica de quem ama à Deus
domingo, 22 de janeiro de 2023
Maior mandamento: amar à Deus
domingo, 31 de outubro de 2021
Transformando benção em maldição
“Naquele dia o livro de Moisés foi lido em alta voz diante do povo, e nele achou-se escrito que nenhum Amonita ou moabita jamais poderia ser admitido no povo de Deus, pois eles, em vez de darem água e comida aos israelitas, tinham contratado Balaão para invocar maldição sobre eles. O nosso Deus, porém, transformou a maldição em benção” (Neemias 13, 1-2).
A última parte desse
texto é repetida incansavelmente nos púlpitos, vídeos, mensagens de texto: “Deus
transforma maldição em benção”. A reflexão de hoje irá percorrer o caminho
inverso: e quando nós transformamos as bençãos que Deus nos permite alcançar em
maldição? Isso é possível? Sim, é possível!
Nesse texto serão
apresentados dois fatos que são tidas como bençãos incontestáveis que podem se
tornar maldição na vida de alguém. Existem outros, mas por hora somente esses
dois serão abordados.
Primeiro: filhos. Em
Salmo 127,3 está escrito “os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que Ele
dá”. Está claro que ter filhos é uma dádiva concedida por Deus à muitas
pessoas. Em Dt. 28,4 é dito que “os filhos do seu ventre serão abençoados” e em
Gn. 1,28 é a prova dessa benção: “Deus os abençoou e lhes disse: “sejam férteis
e multipliquem-se...” Deus disse isso ao homem e a mulher, conforme o versículo
anterior desse texto citado.
Concordamos que ter
filhos é uma benção diante do exposto pela própria Bíblia. Então quando tê-los
se torna uma maldição? Quando os pais transformam os filhos em “bezerro de ouro”.
Quando o filho (s) se torna objeto de adoração, tornando os pais (ou um deles)
em idólatras. A maldição aqui é a idolatria. Vamos ver o que significa a palavra
idolatria no dicionário: 1) culto que se presta a ídolos; 2) amor excessivo,
admiração exagerada. Essa palavra é de origem grega eidolon , ídolo, e latreuein
, adorar. Esse termo refere-se à adoração ou veneração aos ídolos ou
imagens, quando é usado em sentido primário. Se usado num sentido mais lato,
pode indicar a veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição,
ambição (idéia) que toma lugar de Deus, de que lhe diminua a honra que lhe
devemos. Ficaremos com o sentido lato da palavra idolatria para trabalharmos o
tema nesse texto: “adoração a pessoa, ideia”.
A partir do momento que
uma mãe ou pai ama exacerbadamente o seu “filho precioso”, caiu no pecado da
idolatria. Como podemos diferenciar um amor genuíno ou um amor obsessivo? O
amor obsessivo constrói uma espécie de parede ao redor da pessoa/relação na
qual não há margem de manobra. É aquela mãe/pai que coloca o filho numa redoma
de vidro onde somente ela/ele tem acesso. É uma relação de exclusividade,
prioridade absoluta e extremamente controladora. Em contrapartida o amor
genuíno promove o crescimento, desenvolvimento almejado a independência e
maturidade do outro. É aquele amor que disciplina visando o amadurecimento. “Quem
se nega a castigar seu filho não ama, quem o ama não hesita em disciplinar”
(Pv. 13,24).
Quando há idolatria envolvida
também há dificuldade de correção. O amor obsessivo é tão descontrolado que o
filho se torna intocável, irrepreensível não importando o que ele faça. Quem vive
essa situação está completamente mergulhado na idolatria mas não se dá conta.
Justifica-se falando que é amor de mãe/pai, que é um cuidado a mais pela
situação turbulenta do mundo. Dificilmente admitirão que estão na idolatria.
Outra benção que pode se
tornar em idolatria (maldição): casamento. Segue exatamente os mesmos passos do
exemplo anterior. É uma benção e está na Bíblia: “Deus declarou: não é bom que
o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda” (Gn.
2,18), no versículo 22 prossegue “com a costela que havia tirado do homem, o
Senhor Deus fez uma mulher e a levou até ele”. O próprio Deus instituiu o
casamento. Em Provérbios 18,22 está escrito “Quem encontra uma esposa encontra
algo excelente; recebeu uma benção do Senhor”.
Como podemos ver, o
casamento é uma benção de fato, mas ao se tornar o centro da vida de um dos
cônjuges ou do casal, torna-se idolatria. Quando tudo passa a andar em torno do
casamento e sua manutenção é um sinal de alerta. Muitos renunciam os preceitos
estabelecidos por Deus em sua Palavra para agradar e satisfazer o cônjuge. Por
que aquele casamento/cônjuge é muito mais importante do que Deus e Sua Palavra.
Há aqueles que idolatram a ideia do casamento que flerta com a perfeição e se
tornam ou se propõe a tornar um casal perfeito, pelo menos, na aparência. Fazem
isso em nome de uma “glorificação ao Senhor”.
Vamos glorificar ao Senhor com o testemunho do nosso relacionamento.
Veja, a intenção é maravilhosa, mas pode sim está havendo uma idolatria não só
ao cônjuge, mas também a imagem de casamento abençoado. A famosa frase: “história
de amor escrita pelo dedo de Deus”. Há muitos que veneram essa imagem/aparência
dos relacionamentos e não percebem que é uma idolatria. Ela está escondia na
justificativa: “estamos glorificando a Deus com o nosso relacionamento”. Isso
tanto pode ser verdade como pode ser mentira. O grande problema é se for
mentira! Porque estarão enfileirados no rol dos idólatras.
Apontei essas duas
situações sobre filhos e casamentos porque são as ditas “vacas sagradas”,
bezerros de ouro” da igreja evangélica. É muito difícil falar sobre a idolatria
nessas áreas e sabemos que há. Não é abordado nos púlpitos das igrejas e isso
pode estar levando muitos ao inferno. Não se iluda!!! Deus abomina qualquer tipo
de idolatria. Ap. 22,15 “Fora ficam os cães, os que praticam feitiçaria, os que
cometem imoralidades sexuais, os assassinos, os idólatras e todos os que amam e
praticam a mentira.”
Como vimos no início do
texto, a idolatria é muito mais que se prostrar diante de imagens feitas por
mãos de homens. É amar exageradamente uma pessoa, uma ideia. Quem vive isso
também é idólatra e ficará de fora do Reino de Deus como está escrito em Ap.
22,15.