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domingo, 26 de dezembro de 2021

Alegria em meio as provações !

 O texto de Tiago 1,2 é um dos mais aparentemente controverso: ter alegria no sofrimento. Ele diz: “meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois você sabe que a prova de sua fé produz perseverança” (Tg.1,2).

O foco é o resultado dessa prova: perseverança. A perseverança leva o cristão a maturidade e integridade (Tg.1,4). Essas características são necessárias para se tornar um vencedor. Aí chegamos em Apocalipse 2 apontando as igrejas através de cartas e ao final de cada uma, a frase: “ao vencedor ...” e cita uma promessa. Exemplo de promessas: “ao vencedor darei direito de comer da árvore da vida...” (Ap. 2,7); “o vencedor de modo algum sofrerá a segunda morte” (Ap. 2,11); “ao vencedor darei uma pedra branca com um novo nome nela inscrito... (Ap. 2,17) etc.

Apocalipse aponta para o fim da caminhada do ser humano aqui nessa terra como a conhecemos hoje. É nesse livro que está citado o tribunal do Trono Branco (julgamento dos ímpios), e a menção dos galardões dos salvos (Ap. 22,12).

Dito isso podemos conectar Tiago 1 ,2 a Apocalipse 2; 3, 22,12 além de 1Co.3,14-15; 2Co.5,10. Somente os que perseverarem se tornarão vencedores e somente os vencedores serão recompensados.

Em Ap. 22,12 menciona a volta de Jesus trazendo seu galardão consigo. Naquele grande dia, todos os crentes que permanecem fiéis ao Senhor, servindo a Ele com integridade, receberão e sua recompensa.

Paulo foi um servo que sofreu muitas tribulações (naufrágio, cadeia, fome, nudez, espancamento) em favor do Reino de Deus, porém ele esperava o dia em que receberia a sua coroa (recompensa). Ele afirmou que “naquele dia” receberia “a coroa da justiça” que lhe havia sido reservada (2 Tm. 4,8).

É por isso que Tiago fala para nos alegrarmos com as provações porque são elas que nos capacitarão e nos habilitarão para sermos vencedores. O foco não é a vida terrena. É muito difícil lembrar dessa verdade, quando estamos atravessando momentos difíceis e que não vemos saída. Situações que nos deixam infelizes e desanimados.  A tendência natural é procurarmos uma saída a nossa maneira mesmo que essa saída seja contra aos mandamentos de Deus. Somos humanos e muitas vezes não conseguimos olhar para o mundo espiritual e eternidade e discernir o momento doloroso que estamos passando.

Essa falta de foco também se deve as mensagens de autoajuda e focadas na felicidade terrena que invadiram as igrejas e são propagadas nas mídias sociais.

Voltemos então ao foco principal: Reino de Deus e eternidade. Se conseguirmos entender que as provações são instrumentos para habilitar a sermos vencedores e assim termos as recompensas celestiais, podemos encontrar alegria em meio as lutas.

Oremos para conseguirmos manter o foco na vida vindoura na eternidade. Sem esse foco, a tendência é nos rebelarmos quando as provações vieram e muitas vezes permanecerem, o famoso “espinho na carne” (2 Co.12,7). Prossigamos para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus (Fp.3,14).

 

 

domingo, 28 de novembro de 2021

Tendo prazer em Deus

 Depois de alguns textos sobre a maldição da idolatria, é necessário que se mostre o caminho de saída da vida idólatra. Será apresentado um fichamento do capítulo doze do livro “Ídolos do coração” de Elyse Fitzpatrick. Esse capítulo por título “Tendo prazer em Deus” aponta um caminho seguro para guardarmos nosso coração de ídolos.

Em 2 Sm. 6, 14-16 diz: “E Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor [...] Assim Davi e toda a casa de Israel subiam trazendo a arca do Senhor com júbilo e ao som de trombeta [...] quando [Mical] viu o rei Davi saltando e dançando diante do Senhor, ela o desprezou em seu coração”.

O rei Davi, um homem seguindo o coração de Deus (1 Sm. 13,14), dançou diante do Senhor de todo o coração. Era precioso para ele estar próximo da presença de Deus, e ele demonstrou sua grande alegria por meio de suas ações. Estava cheio “das expressões mais intensas possíveis de alegria: dançou diante do Senhor com todas as suas forças; saltou de alegria [...] Era uma expressão natural de seu grande regozijo e da exultação de sua mente.” Davi estava cheio de alegria e prazer porque ele e sua nação voltariam a experimentar a proximidade de Deus.

O profeta Malaquias disse: “Vós saireis e saltareis como bezerro soltos no curral (Ml.4,2). Você alguma vez foi movido pela glória de Deus, por sua bondade, santidade, gentileza e misericórdia, a ponto de seu coração explodir de louvor? Pode imaginar-se enlevado a tal ponto de ter vontade de dançar? Davi sabia como era “[saltar] como bezerros soltos no curral.”

Um caminho para a verdadeira adoração à Deus é a reflexão da nossa adoção. Por que Deus nos adotou? De acordo com Pedro, foi para que anunciássemos “as grandezas daqueles que [nos] chamou das trevas para sua maravilhosa luz” (1Pe.2,9). Você tem consciência de que foi chamado com o propósito claro de proclamar as grandezas de Cristo? Seu coração transborda de louvor pela graça e benevolência do Pai ao adotá-lo?

Uma forma de saber se seu coração está repleto desse tipo de louvor é prestar atenção em suas palavras. O que você louva? Que espécie de palavra transborda seu coração? É difícil imaginar um coração repleto de louvor se a boca não o proclama. “Pois a boca fala do que o coração está cheio.” (Mt.12,34).

Seu coração está cheio de ternos pensamentos acerca da bondade de Deus? Então sua boca também estará. Que a coincidência da bondade de Deus e da Graça de Deus nos cative a ponto de nossas emoções serem aquecidas e nosso homem exterior (nossa boca, nossas mãos e nosso corpo) refletirem grande amor.

Como seremos capazes de nos despir da adoração a outros deuses se não formos completamente cativados pela adoração ao Deus verdadeiro? A melhor forma de deter a idolatria é aprender a ter grande prazer e alegria em Deus. Nosso coração só se desapegará de seus ídolos pelo poder de um amor mais forte, o poder do amor do Pai por nós no evangelho.

Nós somos mornos em nosso louvor porque não provamos a doce alegria da comunhão com Deus ou porque nos esquecemos do regozijo que experimentamos quando descobrimos que Jesus era amigo de pecadores.

Jesus resistiu à tentação de adorar Satanás porque conhecia o prazer do sorriso de seu Pai. Um dos passos para vencer a idolatria é aumentar nossa compreensão de prazer de sermos amados pelo ser mais cativante de toda a criação. A adoração mais vigorosa acontecerá no meio daqueles cuja mente contempla sem pressa a luz da verdade e cujo coração, suas emoções, está tão próximo do fogo de Deus quanto é possível chegar sem ser consumido.

Como o louvar a Deus? A verdadeira adoração deve envolver seu corpo e seu coração, que abrange sua mente, suas afeições e sua volição (vontade). Nosso ser exterior, o corpo deve participar de algum modo: ao falar, cantar ou gritar; ficar em pé, ajoelhar-se ou curvar-se (permanecer sentado nunca é a norma de adoração nas Escrituras); com a cabeça curvada ou levantada, com as mãos erguidas ou batendo palmas. Simples posturas exteriores não são antídoto para louvor insincero (Mc.7,6-7), mas as Escrituras sempre associam uma atividade do corpo ao coração cativado pela Glória de Deus.

O alegre louvor nasce da meditação na misericórdia, graça, grandeza, justiça e bondade de Deus. Nas palavras de John Piper, “Deus certamente é mais glorificado quando nos deleitamos em sua grandeza do que quando somos tão indiferentes a ela, a ponto de mal sentirmos coisa alguma.” Se você tem dificuldade em “deleitar-se na grandeza de Deus” ou em “transbordar gratidão”, talvez seja porque ele não ocupa seus pensamentos e desejos. Com que frequência você medita sobre a misericórdia ou bondade divina? Se anseia adorar de todo coração, pode despertar suas emoções ao meditar no bondoso amor dele por você. Revestir-se de adoração pura inclui meditar na bondade dele.

Agora reflita sobre a graça de Deus em sua vida: Quem Ele é para você? O que Ele fez por você? De que maneira Ele o amou? A lista das bençãos concedidas ao crente apresentada por Paulo em Ef. 1, 3-14 deve tocá-lo a ponto de fazer seu coração irromper em louvor por todos os benefícios que você recebeu no Evangelho. Percebe como Deus o tratou com bondade? Ao aproximar-se dele, exultando com essa bondade, você experimentará a renovação da alegria concedida somente aos verdadeiros adoradores. Não tenha medo de se regozijar em Deus por aquilo que Ele fez. Sua natureza nos é revelada principalmente por meio daquilo que Ele fez por nós.

Ao procurar despir-se da adoração idólatra e substituí-la por obediência, você terá de revestir-se de um coração que valoriza, ama, celebra e se alegra na beleza, bondade, santidade e majestade de seu Rei. Todos os outros deuses e suas promessas incertas ficarão pálidas quando comparadas com a grandeza e a Glória do Senhor.

Esse texto é um incentivo a revestir-se da verdadeira adoração. Além da alegria que toma conta de seus louvores, essa adoração também deve mantê-lo e uma atitude de grato amor por seu próximo. Deus procura adoradores (Jo.4,23) porque seu plano é nos transformar naqueles que experimentam a alegria indescritível da adoração inteiramente rendida a sua pessoa e a sua presença do amor interno e da reverência cheia de admiração por elas e do deslumbramento maravilhoso com elas. Que em todas as nossas ações procuremos nos sujeitar humildemente a obra de Deus e adorá-lo em fervor, refletindo para Ele e para o mundo ao nosso redor a excelência de sua graça gloriosa.


FITZPATRICK, Elyse. Tendo prazer em Deus InFITZPATRICK, Elyse. Ídolos do coração: aprendendo desejar somente a Deus. 2. ed. São Paulo: Ed. Vida Nova, 2017. p. 219-235.

 

segunda-feira, 22 de abril de 2019

A alegria na santidade


Esse é o último capítulo do livro A busca da santidade, dessa forma, chegamos ao fim dos fichamentos desse livro e, espero que tenha sido proveitoso para os que leram e seja para os que ainda irão ler.

Deus pretende que a vida cristã seja uma vida de alegria, não de tédio. A ideia de que santidade anda associada a uma disposição sombria é uma caricatura do pior tipo. De fato, acontece exatamente o contrário. Só aqueles que andam em santidade experimentam  verdadeira alegria.

Jesus disse: "Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim, como tenho obedecido aos mandamentos de meu Pai e em seu amor permaneço. Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja com vocês e a alegria de vocês seja completa"(Jo. 15, 10-11). Nesta afirmação, Jesus liga obediência com alegria, numa relação de causa e efeito; isto é, a alegria resulta da obediência. Só os que são obedientes, que buscam a santidade como estilo de vida, conhecerão a alegria que vem de Deus.

A verdadeira alegria só vem de Deus e ele partilha dessa alegria com os que andam em comunhão com ele. Quando Davi cometeu os terríveis pecados de adultério e assassinato, perdeu o seu senso da alegria de Deus, por ter perdido a comunhão com Deus. Depois disso, na sua oração de penitência, pediu a Deus: "Restitui-me a alegria da tua salvação" (Sl. 51,12). Uma vida de desobediência não pode ser uma vida de alegria.

A experiência diária do amor de Cristo está ligada à nossa obediência a ele. Isto não significa que o seu amor seja condicionado pela nossa obediência. Isso seria legalismo. Mas a nossa experiência do seu amor depende da nossa obediência. Outra causa da alegria é saber que estou obedecendo a Deus, que já não estou resistindo-lhe em alguma área específica da minha vida. Essa alegria torna-se particularmente evidente quando, após uma longa luta entre o Espírito e a nossa natureza pecaminosa, resolvemos final e radicalmente, pela sua graça, o problema dum pecado que nos assediava e nos dominava. Podemos chamar-lhe a alegria da vitória; eu prefiro chamar-lhe a alegria da obediência.

A Alegria não somente resulta de uma vida santa, mas há também um sentido em que a alegria ajuda a produzir uma vida santa. Neemias disse as desanimados exilados que tinham voltado a Jerusalém: "A alegria do Senhor é a vossa força. (Nm. 8,10). O cristão que vive em desobediência vive também privado de alegria e esperança, mas quando começa a entender que Cristo o libertou do reino do pecado, quando começa a ver que está unido àquele que tem todo o poder e autoridade, e que é possível andar em obediência, então começa a ter esperança.

É evidente que Deus não nos mandou ser santos sem providenciar os meios para tal. O privilégio de sermos santos é nosso, e a decisão e responsabilidade de sermos santos são nossas. Se fizermos essa decisão, experimentarmos a plenitude de gozo que Cristo prometeu àqueles que vivem em obediência a ele.


Referência:

BRIDGES, Jerry. A alegria da santidade. In:____. A busca da santidade. Brasília, DF. Ed. Monergismo, 2013. cap. 17, p. 161-165.