domingo, 28 de novembro de 2021

Tendo prazer em Deus

 Depois de alguns textos sobre a maldição da idolatria, é necessário que se mostre o caminho de saída da vida idólatra. Será apresentado um fichamento do capítulo doze do livro “Ídolos do coração” de Elyse Fitzpatrick. Esse capítulo por título “Tendo prazer em Deus” aponta um caminho seguro para guardarmos nosso coração de ídolos.

Em 2 Sm. 6, 14-16 diz: “E Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor [...] Assim Davi e toda a casa de Israel subiam trazendo a arca do Senhor com júbilo e ao som de trombeta [...] quando [Mical] viu o rei Davi saltando e dançando diante do Senhor, ela o desprezou em seu coração”.

O rei Davi, um homem seguindo o coração de Deus (1 Sm. 13,14), dançou diante do Senhor de todo o coração. Era precioso para ele estar próximo da presença de Deus, e ele demonstrou sua grande alegria por meio de suas ações. Estava cheio “das expressões mais intensas possíveis de alegria: dançou diante do Senhor com todas as suas forças; saltou de alegria [...] Era uma expressão natural de seu grande regozijo e da exultação de sua mente.” Davi estava cheio de alegria e prazer porque ele e sua nação voltariam a experimentar a proximidade de Deus.

O profeta Malaquias disse: “Vós saireis e saltareis como bezerro soltos no curral (Ml.4,2). Você alguma vez foi movido pela glória de Deus, por sua bondade, santidade, gentileza e misericórdia, a ponto de seu coração explodir de louvor? Pode imaginar-se enlevado a tal ponto de ter vontade de dançar? Davi sabia como era “[saltar] como bezerros soltos no curral.”

Um caminho para a verdadeira adoração à Deus é a reflexão da nossa adoção. Por que Deus nos adotou? De acordo com Pedro, foi para que anunciássemos “as grandezas daqueles que [nos] chamou das trevas para sua maravilhosa luz” (1Pe.2,9). Você tem consciência de que foi chamado com o propósito claro de proclamar as grandezas de Cristo? Seu coração transborda de louvor pela graça e benevolência do Pai ao adotá-lo?

Uma forma de saber se seu coração está repleto desse tipo de louvor é prestar atenção em suas palavras. O que você louva? Que espécie de palavra transborda seu coração? É difícil imaginar um coração repleto de louvor se a boca não o proclama. “Pois a boca fala do que o coração está cheio.” (Mt.12,34).

Seu coração está cheio de ternos pensamentos acerca da bondade de Deus? Então sua boca também estará. Que a coincidência da bondade de Deus e da Graça de Deus nos cative a ponto de nossas emoções serem aquecidas e nosso homem exterior (nossa boca, nossas mãos e nosso corpo) refletirem grande amor.

Como seremos capazes de nos despir da adoração a outros deuses se não formos completamente cativados pela adoração ao Deus verdadeiro? A melhor forma de deter a idolatria é aprender a ter grande prazer e alegria em Deus. Nosso coração só se desapegará de seus ídolos pelo poder de um amor mais forte, o poder do amor do Pai por nós no evangelho.

Nós somos mornos em nosso louvor porque não provamos a doce alegria da comunhão com Deus ou porque nos esquecemos do regozijo que experimentamos quando descobrimos que Jesus era amigo de pecadores.

Jesus resistiu à tentação de adorar Satanás porque conhecia o prazer do sorriso de seu Pai. Um dos passos para vencer a idolatria é aumentar nossa compreensão de prazer de sermos amados pelo ser mais cativante de toda a criação. A adoração mais vigorosa acontecerá no meio daqueles cuja mente contempla sem pressa a luz da verdade e cujo coração, suas emoções, está tão próximo do fogo de Deus quanto é possível chegar sem ser consumido.

Como o louvar a Deus? A verdadeira adoração deve envolver seu corpo e seu coração, que abrange sua mente, suas afeições e sua volição (vontade). Nosso ser exterior, o corpo deve participar de algum modo: ao falar, cantar ou gritar; ficar em pé, ajoelhar-se ou curvar-se (permanecer sentado nunca é a norma de adoração nas Escrituras); com a cabeça curvada ou levantada, com as mãos erguidas ou batendo palmas. Simples posturas exteriores não são antídoto para louvor insincero (Mc.7,6-7), mas as Escrituras sempre associam uma atividade do corpo ao coração cativado pela Glória de Deus.

O alegre louvor nasce da meditação na misericórdia, graça, grandeza, justiça e bondade de Deus. Nas palavras de John Piper, “Deus certamente é mais glorificado quando nos deleitamos em sua grandeza do que quando somos tão indiferentes a ela, a ponto de mal sentirmos coisa alguma.” Se você tem dificuldade em “deleitar-se na grandeza de Deus” ou em “transbordar gratidão”, talvez seja porque ele não ocupa seus pensamentos e desejos. Com que frequência você medita sobre a misericórdia ou bondade divina? Se anseia adorar de todo coração, pode despertar suas emoções ao meditar no bondoso amor dele por você. Revestir-se de adoração pura inclui meditar na bondade dele.

Agora reflita sobre a graça de Deus em sua vida: Quem Ele é para você? O que Ele fez por você? De que maneira Ele o amou? A lista das bençãos concedidas ao crente apresentada por Paulo em Ef. 1, 3-14 deve tocá-lo a ponto de fazer seu coração irromper em louvor por todos os benefícios que você recebeu no Evangelho. Percebe como Deus o tratou com bondade? Ao aproximar-se dele, exultando com essa bondade, você experimentará a renovação da alegria concedida somente aos verdadeiros adoradores. Não tenha medo de se regozijar em Deus por aquilo que Ele fez. Sua natureza nos é revelada principalmente por meio daquilo que Ele fez por nós.

Ao procurar despir-se da adoração idólatra e substituí-la por obediência, você terá de revestir-se de um coração que valoriza, ama, celebra e se alegra na beleza, bondade, santidade e majestade de seu Rei. Todos os outros deuses e suas promessas incertas ficarão pálidas quando comparadas com a grandeza e a Glória do Senhor.

Esse texto é um incentivo a revestir-se da verdadeira adoração. Além da alegria que toma conta de seus louvores, essa adoração também deve mantê-lo e uma atitude de grato amor por seu próximo. Deus procura adoradores (Jo.4,23) porque seu plano é nos transformar naqueles que experimentam a alegria indescritível da adoração inteiramente rendida a sua pessoa e a sua presença do amor interno e da reverência cheia de admiração por elas e do deslumbramento maravilhoso com elas. Que em todas as nossas ações procuremos nos sujeitar humildemente a obra de Deus e adorá-lo em fervor, refletindo para Ele e para o mundo ao nosso redor a excelência de sua graça gloriosa.


FITZPATRICK, Elyse. Tendo prazer em Deus InFITZPATRICK, Elyse. Ídolos do coração: aprendendo desejar somente a Deus. 2. ed. São Paulo: Ed. Vida Nova, 2017. p. 219-235.