sábado, 20 de novembro de 2021

Ídolos do coração : quando a idolatria é incentivada

 Estamos há três domingo falando sobre idolatria e esse texto será o quarto sobre em tema. Usaremos como texto-base Gn. 35,17, “E, quando padecia muito, tentando dar à luz, a parteira lhes disse: “não tenha medo, pois você ainda terá outro menino’ (NVI).

Para maior entendimento leia os textos publicados anteriormente, principalmente o do dia 07 de novembro. Vamos destacar esse texto de Gn. 35,17 em outras versões da Bíblia:

- Bíblia Judaica Completa: “Enquanto ela [Raquel], sofria com as dores do parto, a parteira lhe disse: “não se preocupe, este também é filho para você”.

- Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH): “Quando as dores estavam no ponto mais forte, a parteira disse: - não tenha medo, você vai ter outro filho homem.”

-Almeida Revista e Atualizada (ARA): “Em meios as dores de parto, disse-lhe a parteira: não temas, pois ainda terás este filho.”

As quatro versões apontam o destaque que a parteira dá ao filho (ao nascimento) do menino, como forma de consolo, ânimo, motivação para Raquel.

Dentre essas versões a NVI (nova Versão Internacional) e a NTLH dão margem para uma interpretação diferente das outras duas: um terceiro filho: “você ainda terá outro menino” e “você vai ter outro filho homem.” Em parto normal, sabemos que é a cabeça que sai primeiro, logo a parteira não poderia ver o gênero do bebê e como é utilizado o verbo no tempo futuro “você terá”, entendemos que se trata de um terceiro filho já que ela (parteira) ainda estava realizando o parto e empregou o verbo no futuro. Não se tratava do bebê daquele parto (Benjamim) mas sim de um futuro bebê: o terceiro filho.

É a partir desse entendimento que o texto de hoje vai abordar o incentivo a idolatria. Como podemos ver, isso acontece de forma despretensiosa com boa intenção. O que há de errado falar para uma mulher que ela terá outro filho? Nenhum mal, aparentemente. Só que no caso de Raquel esse incentivo, essa palavra motivacional era péssima. Era um conselho, uma ideia para ela continuar na idolatria da maternidade.

Quantas vezes vemos isso nos púlpitos? Diversas! Esse incentivo a idolatria vem em forma de mensagens de autoajuda. Frases motivacionais. Palavras proféticas. Ao centrar as pregações nas vontades humanas e suas realizações aqui na terra, o risco que se corre é esse: motivar alguém a continuar idólatra.

Declaro que você terá sua casa própria. Afinal Deus nos fez cabeça e não cauda! (distorção completa de Dt.28,13) os pregadores param na primeira parte do versículo esquecendo de forma proposital a segunda parte que diz: “se obedecerem aos mandamentos do Senhor”. Quais mandamentos? Os listados em Ex.20 e para o nosso tema os explicitados nos versículos 3 “não terás outros deuses além de mim”, 4 “não farás para ti nenhum ídolo...”, 5 “não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás cultos.”

Ora, se há um ídolo no coração no coração logo há quebra de três mandamentos e assim sendo Dt.28,13 não se cumprirá na vida dessa pessoa.

É pregado isso nas igrejas seja em cultos com presença física ou online? Na maioria das vezes, não! Com mensagem que mais parecem palestras motivacionais, os cristãos não amadurecendo (1Co.3,2; Hb.5,13).

Ao não amadurecer nem percebem que estão na idolatria e continuam alimentando os ídolos escondidos no coração. Entram num ciclo vicioso: mensagens antropocêntricas que alimentam os ídolos, tornando-as mais idólatras e cada vez mais desejando mensagens antropocêntricas. Essas pregações garantem ao idólatra, paz e conforto dando-lhe certeza que está no caminho certo.

Eis o perigo de pastores e mestres não confrontarem os membros de suas igrejas com o verdadeiro evangelho. Aquele que só foco em Cristo e na eternidade (Fp.3,12-14).

Como a própria liderança só mantém o foco na vida terrena então tudo o que é tido como sucesso aqui nesse mundo se torna alvo e objeto de obsessão olhemos para a maioria das igrejas e vejamos o que é tido como bençãos e honra por parte de Deus: sucesso na vida profissional e financeira, casamento bem sucedido e ter uma boa rede de amigos (influência).

A pessoa que obtiver tudo isso será considerada abençoada por Deus. Será um exemplo de servo bom e fiel já que Deus o está abençoando e honrando. Quem não tiver nada disso será considerado amaldiçoado, Deus o está castigando (está no deserto porque fez algo de errado), ou está em rebeldia.

Esses são os conceitos de bençãos e maldições dentro das igrejas. Sabemos pela própria Bíblia que isso é um equívoco terrível.  Em Filipenses 4,12 o apóstolo Paulo deixa claro que um cristão pode viver com pouco: “sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.” O próprio Jesus disse: “as raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça.” (Lc.9,58)

O ser humano já é inclinado a idolatria e a situação piora ainda mais quando ela é incentivada sutilmente por pregações motivacionais centradas no que é sucesso para esse mundo. Além de incentivar a idolatria, essas mensagens, por óbvio, são incapazes de ajudar a identificar se a pessoa está acalentando um “bezerrinho de ouro” em seu coração.

Meus irmãos devemos ter muito cuidado com esses tipos de pregações que mais parecem palestras. Precisamos orar e pedir à Deus para nos mostrar se temos algo em nosso coração que está tomando o lugar de Deus. Precisamos urgentemente identificar e destruir quaisquer ídolos em nossas vidas e rejeitarmos completamente todo e qualquer incentivo a isso, por melhor que pareça a intenção da pessoa.

Que Jesus nos conceda Graça e força para permanecermos somente Nele.