O título desse texto é o mesmo do livro da autora Elyse Fitzpatrick. Nesse livro é abordado sobre a idolatria escondida no coração das pessoas. Incentivo você a lê-lo. Será muito edificante para sua vida.
Hoje vou abordar mais
especificamente a questão dos filhos, que foi um dos tópicos do texto
anteriormente publicado nesse blog “transformando benção em maldição. Elyse em um dos capítulos do seu livro abordou
a idolatria de Raquel (esposa de Jacó). Vou trazer para cá um resumo do entendimento
da autora e farei alguns apontamentos.
Elyse começa apontando a
inclinação de Raquel à idolatria quando a filha de Labão rouba os ídolos da casa
de seu pai. Essa cena é descrita em Gn. 31,19 “enquanto Labão tinha saído para
tosquiar suas ovelhas, Raquel roubou de seu pai os ídolos do clã...” Ela estava
saindo da sua vida segura ao lado do pai para o desconhecido, mesmo já sendo
casada, ela continuou na propriedade de seu pai. O seu mundo teve pouca
alteração. Com a decisão de Jacó, seu marido, de partir para longe de seu
sogro, Raquel se viu num terreno inseguro. A insegurança e ansiedade expuseram
a sua idolatria. Ela correu para os ídolos de seu pai em busca de conforto e
segurança para esse momento de mudança em sua vida.
Esses ídolos eram tão importantes
para Raquel que vemos no versículo 35 do mesmo capítulo 31, ela mentindo, ao
pai para poder continuar com os ídolos roubados: “Raquel disse ao pai: não se
irrite, meu senhor, por não poder me levantar em sua presença, pois estou com o
fluxo das mulheres.” Claro que ele não encontrou! Raquel tinha-os colocado dentro
da sela do seu camelo e estava sentada em cima, como é dito no versículo 34.
Ela roubou e mentiu para o pai e enganou o marido como fica claro no versículo
32: “... ora, Jacó não sabia que Raquel os havia roubado”.
Por essa narrativa vemos a
inclinação de Raquel a idolatria. Essa inclinação é vista de forma mais clara
quando ela diz à Jacó: “dê-me filhos ou morrerei!” (Gn.30,1). Na história bíblica
esse fato ocorre antes do roubo dos ídolos do pai. O roubo é a concretização da
idolatria que já dominava o coração de Raquel. A fala “dê-me filhos ou
morrerei!” é marcante demais porque a morte era melhor para ela do que continuar
viva e estéril. (Gn.29,31). O que é mais trágico nesse relato é constatarmos
que a idolatria a matou. A ideia adorada (maternidade) e objeto foco da
adoração (filhos, no plural) acabaram por matá-la. Ela não se contentaria (como
não se contentou mesmo) em ter um único filho. Mesmo nessa condição, Deus a
ouviu “então Deus lembrou-se de Raquel. Deus ouviu o seu clamor e a tornou
fértil... deu à luz a um filho... deu-lhe o nome de José (Gn.30,23). Nesse
mesmo texto ela ainda afirma: “que o Senhor me acrescente ainda outro filho”. Ela
com i seu filho desejado nos braços e não conseguiu ser grata pela benção
alcançada. O foco continuou na sua obstinada meta: filhos!
Nesse texto não vemos Raquel
agradecendo à Deus, mas a vemos afirmando “Deus tirou de mim a minha humilhação”.
Isso não é agradecimento. O foco ainda é ela e a sua situação de competição com
a irmã Lia.
Em Gn. 35,16 vemos que Deus
atendeu o desejo dela de ter mais um filho. O fato de Deus nos atender nem sempre
é bom! Esse é o caso. “Raquel começou a dar à luz com grande dificuldade. E,
enquanto padecia muito, tentando dar à luz, a parteira disse-lhe: não tenha medo,
pois você ainda terá outro menino. Já a ponto de sair-lhe a vida, quando estava
morrendo deu ao filho o nome de Benoni mas o pai deu-lhe o nome de Benjamim.
Assim morreu Raquel...” (Gn.35,16-19). No fim ela deu nomeou o filho como sendo
“filho da minha aflição”. A alegria e prazer tão almejados foram transformados
em aflição!
A mulher que disse: “dê-me filhos
ou morrerei” (Gn.30,1), morreu em trabalho de parto (Gn.35,19).
Não é terrível essa situação? O
que ela mais desejava (filhos) a levou à morte.
Voltemos ao roubo de ídolos. O
roubo dos ídolos do pai foi depois que já havia tido o primeiro filho e antes
que ela tivesse o segundo. No versículo 32 do capítulo 31 há uma profecia de
Jacó de forma implícita: “quantos aos seus deuses, quem for encontrado com eles
não ficará vivo”. Jacó declarou morte para quem roubou os ídolos do sogro. Num
primeiro momento entendemos que a pessoa pega com os ídolos seria executada,
mas se olharmos mais profundamente podemos ver uma sentença profética na vida
de quem roubos aqueles ídolos.
Essa profecia implícita de Jacó
se cumpriu. Raquel morreu pela realização do seu grande desejo: filhos.
Com essa narrativa sobre os fatos
da vida de Raquel percebemos o quão perigoso e mortal é ter ídolos no coração.
A história dessa mulher ainda nos apresenta outros pontos a serem explorados
posteriormente: inveja (Gn.30,1), incentivo por terceiros a permanecer na
idolatria (Gn.35,17), a postura de Jacó em relação as suas esposas (Gn.30,15-16)
e depois aos seus filhos (Gn.37,3-4).
A idolatria mata! A idolatria
transforma bençãos em maldições. Nada de frutífero procede desse mal.
Aqui vemos de forma detalhada
como uma obsessão por um filho (ideia de maternidade) pode ser considerada um
desejo idólatra. Não importa se é da cultura, se o desejo é legítimo já que é
uma benção, se pode glorificar a Deus com o cumprimento daquele desejo (sonho).
Se ele (desejo/sonho) tomou o lugar de Deus então é idolatria e consequentemente
deixou de ser benção e passou a ser maldição.
Tomemos cuidado para não
transformarmos benção em maldição. A nossa oração diária deve ser: Pai, mostra-me
se há ídolos escondidos em meu coração e me liberte deles, se houver.
Que Deus nos dê entendimento e
discernimento para identificarmos qualquer coisa em nossas vidas que estejam
usurpando o lugar que é de Deus.
Indicação de livro:
FITZPATRICK, Elyse. Ídolos do
coração: aprendendo desejar somente a Deus. 2. ed. São Paulo: Ed. Vida Nova,
2017. 256 p.