Como nos textos anteriores esse é mais um fichamento de um dos capítulos do livro A busca da santidade.
Quanto mais pecamos, mais somos inclinados a pecar. Cada pecado que cometemos reforça o hábito de pecar e torna mais fácil pecar. Por isso a importância de guardarmos a mente e as emoções, uma vez que essas faculdades constituem os canais através dos quais as várias forças impulsionadoras chegam à nossa vontade. É, no entanto, igualmente importante que entendamos como é que os nossos hábitos influenciam a nossa vontade.
O hábito é definido como "disposição ou caráter dominante dos pensamentos e sentimentos de uma pessoa". Os hábitos são os padrões de pensamentos e emoções gravados na nossa mente. Esses padrões internos de hábitos exercem tanta pressão nas nossas ações como as influências externas - de fato, talvez ainda mais.
Quando éramos incrédulos, entregávamos-nos à formação de hábitos de impiedade, aquilo a que Paulo chamou "maldade que leva a maldade" (Rm. 6,19). Cada vez que pecamos , cada vez que fomos sensuais, que cobiçamos, que odiamos, que enganamos ou mentimos, estávamos desenvolvendo hábitos mais ímpios. Esses atos repetidos de injustiça tornaram-se hábitos que nos fizeram, de fato, escravos do pecado.
Agora, porém, declarou Paulo, assim como antes nos entregávamos a esses hábitos perversos, devemos entregar-nos à formação de hábitos de santidade (Rm. 6,19). Devemos despojar-nos do nosso velho homem, da nossa, disposição pecaminosa e seus hábitos, e revestir-nos do novo homem, com o seu caráter e hábitos de santidade. Treinarmo-nos em santidade (1Tm. 4,7) é disciplinarmos e estruturarmos a nossa vida de modo a desenvolvermos hábitos piedosos. O abandono desses hábitos pecaminosos é aquilo a que Paulo chama mortificação, ou morte, das obras do corpo (Rm. 8,13).
A destruição de hábitos pecaminosos deve ser levada a cabo em cooperação com o Espírito Santo, e em dependência dele. A determinação de que "nunca mais farei isso" baseada na simples resolução humana, jamais quebrou os grilhões do pecado. Há, contudo, princípios práticos que podemos seguir para nos disciplinarmos em santidade.
O primeiro princípio é que hábitos são adquiridos e reforçados por repetição frequente. Outra definição de hábito é um "padrão de conduta adquirido por repetição frequente". Esse é um princípio que está na base de que quanto mais pecamos mais somos inclinados a pecar. Mas o oposto também é verdade. Quanto mais dizemos não ao pecado, mais somos inclinados a dizer-lhe não.
O segundo princípio para acabar com hábitos pecaminosos e adquirir outros novos é nunca permitir exceções. Quando consentimos exceções, estamos reforçando os velhos hábitos, ou falhando em reforçar o novo. Nesse ponto devemos nos alertar contra o tipo de pensamento "só mais uma vez", que constitui uma armadilha sutil e perigosa.
O terceiro princípio é que é preciso diligência em todas as áreas para assegurar êxito numa certa área. Poderemos achar que um determinado hábito "não é tão mau assim" mas se continuamente cedermos a esse hábito, enfraqueceremos a nossa vontade contra os assaltos da tentação vindos de outras direções. É por isso que se torna tão importante que formemos hábitos de autodomínio sobre os nossos apetites, mas essa atitude enfraquece a vontade em todos os outros aspectos da nossa vida.
Finalmente, não fique desanimado com o fracasso. Há uma grande diferença entre falhar e tornar-se um fracassado. Tornamo-nos fracassados quando desistimos, quando deixamos de tentar. Mas enquanto estivermos trabalhando no sentido de vencer esses hábitos pecaminosos, independentemente do número de vezes em que falhemos, não nos tornaremos fracassados e poderemos esperar ver progresso.
Referência:
BRIDGES, Jerry. Hábitos de santidade. In:____. A
busca da santidade. Brasília, DF. Ed. Monergismo, 2013. cap. 6, p. 139-143.