domingo, 2 de janeiro de 2022

A oração de Daniel

 No capítulo 9, versículo 1 de Daniel diz que no primeiro ano de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos Medos o qual foi constituído rei sobre dos Caldeus, ele entendeu, pelos livros, que o número de anos de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era de 70 anos.

Ele se voltou a Deus em oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza. Aqui está um exemplo a ser seguida pela noiva de Cristo. Também pelos escritos de Isaías 66, especificamente o versículo 8: “Quem já ouviu uma nação nascer num só dia, ou pode-se dar à luz um povo num instante?

Israel voltou a ser uma nação constituída novamente em 14 de maio de 1948. A votação na ONU ocorreu em 29 de novembro de 1947 e foi presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha que deu o voto de minerva para a criação do Estado de Israel. Diante desses fatos de 1947/1948, a profecia de Isaías 66,8 foi cumprida.

Em Salmos 90,10 diz: “os anos de nossa vida chegam a 70 ou a 80 para os que tem mais vigor, entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passa depressa, e nós voamos.

Em Mateus 24,32 há uma lição da figueira: “quando seus ramos se renovam e suas folhas começam a brotar vocês sabem que o verão está próximo. No versículo 34 diz “eu asseguro a vocês que não passará esta geração até que todas estas coisas aconteçam.”

A figueira é uma ilustração de Israel como é apresentada em Oséias 9,10:

“achei Israel como uvas no deserto, vi a vossos pais como as primícias da figueira nova...” Em Jeremias essa ilustração também é apresentada: “então, me perguntou o Senhor: Que vê tu, Jeremias? Respondi: figos; os figos muito bons e os muito ruins, [...] A mim veio a palavra do Senhor, o Deus de Israel: de modo por que cujo estes bons figos, assim favorecerei os exilados de Judá que enviei deste lugar para as terras do Caldeus [...]”

Diante dos textos de Isaías, Salmos e Mateus temos o seguinte conjunto de informações: uma nação sendo estabelecida num único dia; uma geração tem duração de 70 a 80 anos e a geração que visse o brotar da figueira era a geração do fim. Logo temos o seguinte: florescimento da figueira em 14 de maio de 1948 mais 70/80 anos e o tempo do fim. A contagem abriu em 2018. Precisamente em 14 de maio de 2018.

O que temos que fazer com essas informações? O mesmo que Daniel fez ao saber que o tempo de duração do exílio durante 70 anos: orar e clamar pela libertação! No Salmos 90,10 ainda é destacada que voaremos ao final de 70/80 anos uma alusão ao arrebatamento.

Precisamos nos colocar na mesma posição que Daniel um dia fez. Clamor, súplica, jejum e humilhação. Em 2 Pedro 3,12 “vocês devem esperar e apressar a vinda do Dia de Deus [...]”. Em Apocalipse 22,17 também diz: “O Espírito e a noiva dizem: Vem!”

Esses textos nos dão suporte para clamarmos: Vem, Jesus! Apressa a Tua Vinda! Faça-nos voar ao Teu encontro. Tira-nos dessa Babilônia! O tempo do exílio terminou.

Irmãos, precisamos clamar pela vinda de Cristo nas nuvens. A janela de tempo está aberta. No Salmo 90,10 diz que quem chega aos 80 anos, chega com canseira e enfado, ou seja, sobrecarregado de lutas. Não vamos correr o risco de adentrarmos ainda mais no sistema da besta. Há claramente duas janelas de tempo estabelecidas no Salmo 90.

Nesse ano de 2022, Israel fará 74 anos, estamos no limite para aproveitarmos essa primeira janela. Até 13/05/2022 Israel terá 73 anos, acrescido de sete anos do acordo citado em Daniel 9,27, tem-se os 80 anos. Se passar disso, Deus pode usar a partir dos 80. Não temos como saber! Ele tanto pode usar até 80 ou usar a partir do 80. É arriscado ficar só esperando e assistindo já que temos um modelo de oração por libertação, em Daniel 9 para seguirmos. O que podemos afirmar é que a janela está aberta desde 2018.

Oremos apressando a Vinda de Cristo! Maranata!

 

OBS: Sabemos que há tempo determinados para os eventos como diz em Eclesiastes 3,1 e em Apocalipse 9,15 também menciona essa cronologia exata. O que precisamos entender que isso ocorre dentro dessas janelas de tempo estipuladas. O tempo está marcado dentro desses blocos de tempo/período.

Que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia. (2Pe. 3,8). Em Gn. 2, 17 Deus disse: “mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” Adão morreu com 930 anos (Gn.5,5). Ele morreu antes de completar mil anos. Na janela de tempo divina, Adão morreu no mesmo dia. Na janela de tempo humana ele viveu 930 anos. Ele tanto poderia morrer no mesmo dia (no tempo humano) como morrer com mil anos (no tempo de Deus). Adão teve uma janela de tempo de um dia até mil anos. No Salmos 90,10 vemos essa janela de tempo na perspectiva humana: 70 a 80 anos. Tanto poderia ser aos 70 anos de Israel como poderá ser aos 80 anos de Israel. Há aqui um bloco de tempo de 10 anos. Estamos nesse intervalo e portanto precisamos clamar para que a promessa de voarmos se cumpra.

 

domingo, 26 de dezembro de 2021

Alegria em meio as provações !

 O texto de Tiago 1,2 é um dos mais aparentemente controverso: ter alegria no sofrimento. Ele diz: “meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois você sabe que a prova de sua fé produz perseverança” (Tg.1,2).

O foco é o resultado dessa prova: perseverança. A perseverança leva o cristão a maturidade e integridade (Tg.1,4). Essas características são necessárias para se tornar um vencedor. Aí chegamos em Apocalipse 2 apontando as igrejas através de cartas e ao final de cada uma, a frase: “ao vencedor ...” e cita uma promessa. Exemplo de promessas: “ao vencedor darei direito de comer da árvore da vida...” (Ap. 2,7); “o vencedor de modo algum sofrerá a segunda morte” (Ap. 2,11); “ao vencedor darei uma pedra branca com um novo nome nela inscrito... (Ap. 2,17) etc.

Apocalipse aponta para o fim da caminhada do ser humano aqui nessa terra como a conhecemos hoje. É nesse livro que está citado o tribunal do Trono Branco (julgamento dos ímpios), e a menção dos galardões dos salvos (Ap. 22,12).

Dito isso podemos conectar Tiago 1 ,2 a Apocalipse 2; 3, 22,12 além de 1Co.3,14-15; 2Co.5,10. Somente os que perseverarem se tornarão vencedores e somente os vencedores serão recompensados.

Em Ap. 22,12 menciona a volta de Jesus trazendo seu galardão consigo. Naquele grande dia, todos os crentes que permanecem fiéis ao Senhor, servindo a Ele com integridade, receberão e sua recompensa.

Paulo foi um servo que sofreu muitas tribulações (naufrágio, cadeia, fome, nudez, espancamento) em favor do Reino de Deus, porém ele esperava o dia em que receberia a sua coroa (recompensa). Ele afirmou que “naquele dia” receberia “a coroa da justiça” que lhe havia sido reservada (2 Tm. 4,8).

É por isso que Tiago fala para nos alegrarmos com as provações porque são elas que nos capacitarão e nos habilitarão para sermos vencedores. O foco não é a vida terrena. É muito difícil lembrar dessa verdade, quando estamos atravessando momentos difíceis e que não vemos saída. Situações que nos deixam infelizes e desanimados.  A tendência natural é procurarmos uma saída a nossa maneira mesmo que essa saída seja contra aos mandamentos de Deus. Somos humanos e muitas vezes não conseguimos olhar para o mundo espiritual e eternidade e discernir o momento doloroso que estamos passando.

Essa falta de foco também se deve as mensagens de autoajuda e focadas na felicidade terrena que invadiram as igrejas e são propagadas nas mídias sociais.

Voltemos então ao foco principal: Reino de Deus e eternidade. Se conseguirmos entender que as provações são instrumentos para habilitar a sermos vencedores e assim termos as recompensas celestiais, podemos encontrar alegria em meio as lutas.

Oremos para conseguirmos manter o foco na vida vindoura na eternidade. Sem esse foco, a tendência é nos rebelarmos quando as provações vieram e muitas vezes permanecerem, o famoso “espinho na carne” (2 Co.12,7). Prossigamos para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus (Fp.3,14).

 

 

domingo, 19 de dezembro de 2021

O caminho da sabedoria

Há muitas pessoas vivendo pesadamente porque não foram sábias. Pessoas consideradas inteligentes pelos que a cercam, cometem a insensatez em fazer escolhas erradas para a sua vida.

Ser inteligente não é ser sábio. Inteligente é aquele que possui a capacidade de compreender e resolver problemas e conflitos, adaptar-se a novas situações, ter conhecimento sobre diversos assuntos etc. Já o sábio é aquele que teme a Deus: “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é o entendimento.” (Pv. 9,10).

O versículo fala sobre conhecer a Deus e temê-lo. Todos que conhecem bem a Deus O temem.  Aqui está a razão para a falta de temor de muitos: eles não conhecem à Deus, ou não O conhecem bem.

Para conhecer a Deus é preciso se comunicar com Ele através da oração e meditar em Sua Palavra. É por meio da oração que podemos pedir sabedoria. Em Tiago 1,5 diz que: “se alguém de vocês tem falta de sabedoria, peça-a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.

Com a sabedoria concedida por Deus saberemos, obviamente, a grande importância de temê-Lo e seguir os seus mandamentos. Agindo assim faremos escolhas adequadas para a nossa vida. A sabedoria oferece proteção. Proteção de uma escolha ruim em qualquer área de nossas vidas. Normalmente a incidência de decisões equivocadas ocorrem nas áreas profissional e sentimental. Essa última é um pesadelo caso haja uma má escolha.

“Não abandone a sabedoria, e ela o protegerá, ame-a, e ela cuidará de você” (Pv.4,6). Podemos entender da seguinte forma: não abandone o temor ao Senhor, e Ele o protegerá, ame-O, e Ele cuidará de você. Só se ama alguém se conhecê-lo bem. Mais uma vez a importância de conhecer a Deus muito bem se manifesta. Para temê-Lo e amá-Lo é necessário conhecê-Lo antes.

Quer fazer uma escolha com sabedoria? Conhece a Deus verdadeiramente. Assim você não agirá como o tolo que é controlado pelas emoções.

Vamos exemplificar para melhor entendimento: uma moça que não conhece a Deus de forma suficiente e, portanto, não O teme completamente, deixará que suas emoções a dominem. Ela dominada pelas emoções não terá discernimento para escolher um rapaz para se casar. Sua visão ficará turva e se baseará nas emoções que gritam que ela precisa casar-se para alcançar um determinado status de sucesso. A meta dela será o casamento em si. Porque é isso que as emoções (alma) dela está ordenando. Comportando-se como uma tola fará uma escolha inadequada que terá um preço a ser pago. Preço alto!

Como então podemos nos proteger de escolhas e decisões precipitadas e inadequadas? Sendo sábios! Como seremos sábios? Amando e temendo a Deus. Como conseguir isso? Conhecendo a Deus muito bem! Só conseguiremos conhecê-Lo de forma adequada e bem se tivermos uma vida diante Dele. Para atingirmos esse ponto só através da oração, meditação da Palavra e obediência. Eis aí a chave para trilhar o caminho da sabedoria.

Para aqueles que porventura venham questionar sobre o sucesso e sabedoria dos ímpios, digo que eles obtém um sucesso terreno e momentâneo que nada valem para a eternidade. Foquemos na sabedoria dada por Deus para termos uma vida que glorifica à Ele e ao mesmo tempo que essas escolhas e decisões sábias nos proporcione frutos (galardões) na vida eterna.

domingo, 12 de dezembro de 2021

Esconderijo do Altíssimo

 O Salmo 91 é um dos mais famosos se não for o mais dentre os outros 149 Salmos. É comum vermos a Bíblia aberta nele nas casas das pessoas ou ele colado na porta de entrada. É o famoso Salmo da proteção. Alguns pensam que é só recitá-lo e as promessas contidas nele passam a vigorar automaticamente em suas vidas.

Vamos meditar com mais atenção no versículo 1 desse Salmos? “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.” Há uma promessa: descanso na sombra do Onipotente. Para quem é a promessa? Para os que habitam no esconderijo do Altíssimo.

Todas as promessas contidas no Salmo 91 são somente para os que habitam no esconderijo de Deus. Não é para qualquer pessoa. É para um grupo específico. O que é habitar no esconderijo do Altíssimo? Vamos por parte: habitar significa morar, ter como residência fixa, viver em. O termo viver para esse contexto de Salmo é o mais adequado.

Diante dos significados expostos entendemos que somente aqueles que vivem na presença de Deus que alcançarão as promessas citadas no Salmo 91. A prioridade de nossas vidas deve ser o de estar/viver na Presença de Deus constantemente. É ter um relacionamento diário com Ele através da oração. É obedecê-lo. É negar a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir a Jesus (Mc.8,34). É permitir ser guiado pelo Espírito Santo.

O apóstolo Paulo escreveu: “porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm.8,14). Se são filhos de Deus logo as promessas do Salmo 91 são válidas para eles já que Deus é um Pai bondoso. “...Ora se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem” (Mt.7,11)

Se um filho obediente, fiel e leal com certeza será contemplando com os livramentos contidos nesse Salmo. Sempre lembrando que tudo é de acordo com a soberania de Deus. Por que é Ele que conhece os planos que tem para cada um (Jr.29,11). Porque os pensamentos Dele não são os nossos pensamentos, nem os nossos caminhos os caminhos Dele (Is.55,8-10).

Então de acordo com a sua soberana vontade, Ele cumpre as promessas nas vidas de seus filhos fiéis que se dispuseram a viver em sua Presença. Quando você for ler o Salmo 91 na esperança de obter aquelas bençãos citadas, faça um auto exame.

Veja se você pertence ao grupo dos que vivem na Presença de Deus. Olhe para a sua vida e verifique se há um relacionamento com Deus genuinamente. Não faça do Salmo 91 um amuleto gospel pois não irá funcionar. O que funciona é estarmos sempre diante de Deus, obedencedo-O, sendo fiel e assim alcançando suas bençãos por sua misericórdia.

domingo, 5 de dezembro de 2021

Trajes reais

 

Hoje falaremos sobre os versículos 1 a 3 do capítulo 5 do livro de Ester:

“Três dias depois, Ester vestiu seus trajes de rainha e colocou-se no pátio interno do palácio, em frente do salão do rei. O rei estava no trono de frente para a entrada. Quando viu a rainha Ester ali no pátio, teve misericórdia dela e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão. Ester aproxima-se e tocou a ponta do cetro. E o rei lhe perguntou: ‘que há, rainha Ester? Qual é o seu pedido? Mesmo que seja a metade do reino, lhe será dado.’

Ester estava numa situação extremamente difícil: pressionada com o decreto que autorizava o extermínio do seu povo e ao mesmo tempo tendo que ir contra a lei que dizia que ninguém poderia se aproximar do rei sem ter sido convocado a presença dele.

O que aconteceu à Ester, acontece conosco, guardada as devidas proporções. Muitas vezes nos sentimos completamente sem saída, acreditando que realmente é o fim.  O primeiro passo que Ester deu foi fazer um jejum (Ester 4,16), depois vestiu seu traje de rainha e foi se colocar na presença do rei. O jejum é a quebra do querer da carne, é a subjugação do conforto e prazer. É a negação do Eu.

Primeiramente precisamos negar a nós mesmo, subjugar a nossa carne e aí sim estaremos aptos a vestirmos as vestes reais. Assumir a nossa identidade de filhos fiéis do Deus vivo.

Em Ap. 19,8 é dito “para vestir-se foi-lhe dada linho fino, brilhante e pleno”. O linho fino são os atos justos dos santos”. Esse versículo está se referindo a noiva de Cristo mencionada no versículo 7 do mesmo capítulo.

Como noiva de Cristo é imprescindível que vivamos em santidade e as boas obras (os bordados da vestimenta de linho). Que nos é possível através do Espírito Santo. Qual o significado do bordado? Originalmente há uma peça lisa de tecido sem nada sobre ela. Mais tarde, algo é bordado nela com agulhas, e, mediante essa obra, o tecido original e o que foi nela bordado com agulhas se tornam um apenas. Isso quer dizer que, quando o Espírito de Deus trabalha em nós, Ele incorpora Cristo em nós, isto é, o bordado.

Assim sendo podemos nos aproximar do Rei [Jesus] em meio a nossa aflição e fazer o nosso pedido de libertação da situação esmagadora que muitas vezes vivenciamos. Para escutar Dele: “qual é o seu pedido?” Precisamos estar no mínimo com o espírito quebrantado e coração contrito (Sl. 51,17).

Façamos como Ester fez: neguemos a nós mesmo subjugando a nossa carne, amemos à Cristo de todo o nosso coração, sendo um com Ele [vestes] e nos apresentemos diante Dele com a expectativa que Ele cumprirá em nós a sua boa, perfeita e agradável vontade (Rm.12,2).

domingo, 28 de novembro de 2021

Tendo prazer em Deus

 Depois de alguns textos sobre a maldição da idolatria, é necessário que se mostre o caminho de saída da vida idólatra. Será apresentado um fichamento do capítulo doze do livro “Ídolos do coração” de Elyse Fitzpatrick. Esse capítulo por título “Tendo prazer em Deus” aponta um caminho seguro para guardarmos nosso coração de ídolos.

Em 2 Sm. 6, 14-16 diz: “E Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor [...] Assim Davi e toda a casa de Israel subiam trazendo a arca do Senhor com júbilo e ao som de trombeta [...] quando [Mical] viu o rei Davi saltando e dançando diante do Senhor, ela o desprezou em seu coração”.

O rei Davi, um homem seguindo o coração de Deus (1 Sm. 13,14), dançou diante do Senhor de todo o coração. Era precioso para ele estar próximo da presença de Deus, e ele demonstrou sua grande alegria por meio de suas ações. Estava cheio “das expressões mais intensas possíveis de alegria: dançou diante do Senhor com todas as suas forças; saltou de alegria [...] Era uma expressão natural de seu grande regozijo e da exultação de sua mente.” Davi estava cheio de alegria e prazer porque ele e sua nação voltariam a experimentar a proximidade de Deus.

O profeta Malaquias disse: “Vós saireis e saltareis como bezerro soltos no curral (Ml.4,2). Você alguma vez foi movido pela glória de Deus, por sua bondade, santidade, gentileza e misericórdia, a ponto de seu coração explodir de louvor? Pode imaginar-se enlevado a tal ponto de ter vontade de dançar? Davi sabia como era “[saltar] como bezerros soltos no curral.”

Um caminho para a verdadeira adoração à Deus é a reflexão da nossa adoção. Por que Deus nos adotou? De acordo com Pedro, foi para que anunciássemos “as grandezas daqueles que [nos] chamou das trevas para sua maravilhosa luz” (1Pe.2,9). Você tem consciência de que foi chamado com o propósito claro de proclamar as grandezas de Cristo? Seu coração transborda de louvor pela graça e benevolência do Pai ao adotá-lo?

Uma forma de saber se seu coração está repleto desse tipo de louvor é prestar atenção em suas palavras. O que você louva? Que espécie de palavra transborda seu coração? É difícil imaginar um coração repleto de louvor se a boca não o proclama. “Pois a boca fala do que o coração está cheio.” (Mt.12,34).

Seu coração está cheio de ternos pensamentos acerca da bondade de Deus? Então sua boca também estará. Que a coincidência da bondade de Deus e da Graça de Deus nos cative a ponto de nossas emoções serem aquecidas e nosso homem exterior (nossa boca, nossas mãos e nosso corpo) refletirem grande amor.

Como seremos capazes de nos despir da adoração a outros deuses se não formos completamente cativados pela adoração ao Deus verdadeiro? A melhor forma de deter a idolatria é aprender a ter grande prazer e alegria em Deus. Nosso coração só se desapegará de seus ídolos pelo poder de um amor mais forte, o poder do amor do Pai por nós no evangelho.

Nós somos mornos em nosso louvor porque não provamos a doce alegria da comunhão com Deus ou porque nos esquecemos do regozijo que experimentamos quando descobrimos que Jesus era amigo de pecadores.

Jesus resistiu à tentação de adorar Satanás porque conhecia o prazer do sorriso de seu Pai. Um dos passos para vencer a idolatria é aumentar nossa compreensão de prazer de sermos amados pelo ser mais cativante de toda a criação. A adoração mais vigorosa acontecerá no meio daqueles cuja mente contempla sem pressa a luz da verdade e cujo coração, suas emoções, está tão próximo do fogo de Deus quanto é possível chegar sem ser consumido.

Como o louvar a Deus? A verdadeira adoração deve envolver seu corpo e seu coração, que abrange sua mente, suas afeições e sua volição (vontade). Nosso ser exterior, o corpo deve participar de algum modo: ao falar, cantar ou gritar; ficar em pé, ajoelhar-se ou curvar-se (permanecer sentado nunca é a norma de adoração nas Escrituras); com a cabeça curvada ou levantada, com as mãos erguidas ou batendo palmas. Simples posturas exteriores não são antídoto para louvor insincero (Mc.7,6-7), mas as Escrituras sempre associam uma atividade do corpo ao coração cativado pela Glória de Deus.

O alegre louvor nasce da meditação na misericórdia, graça, grandeza, justiça e bondade de Deus. Nas palavras de John Piper, “Deus certamente é mais glorificado quando nos deleitamos em sua grandeza do que quando somos tão indiferentes a ela, a ponto de mal sentirmos coisa alguma.” Se você tem dificuldade em “deleitar-se na grandeza de Deus” ou em “transbordar gratidão”, talvez seja porque ele não ocupa seus pensamentos e desejos. Com que frequência você medita sobre a misericórdia ou bondade divina? Se anseia adorar de todo coração, pode despertar suas emoções ao meditar no bondoso amor dele por você. Revestir-se de adoração pura inclui meditar na bondade dele.

Agora reflita sobre a graça de Deus em sua vida: Quem Ele é para você? O que Ele fez por você? De que maneira Ele o amou? A lista das bençãos concedidas ao crente apresentada por Paulo em Ef. 1, 3-14 deve tocá-lo a ponto de fazer seu coração irromper em louvor por todos os benefícios que você recebeu no Evangelho. Percebe como Deus o tratou com bondade? Ao aproximar-se dele, exultando com essa bondade, você experimentará a renovação da alegria concedida somente aos verdadeiros adoradores. Não tenha medo de se regozijar em Deus por aquilo que Ele fez. Sua natureza nos é revelada principalmente por meio daquilo que Ele fez por nós.

Ao procurar despir-se da adoração idólatra e substituí-la por obediência, você terá de revestir-se de um coração que valoriza, ama, celebra e se alegra na beleza, bondade, santidade e majestade de seu Rei. Todos os outros deuses e suas promessas incertas ficarão pálidas quando comparadas com a grandeza e a Glória do Senhor.

Esse texto é um incentivo a revestir-se da verdadeira adoração. Além da alegria que toma conta de seus louvores, essa adoração também deve mantê-lo e uma atitude de grato amor por seu próximo. Deus procura adoradores (Jo.4,23) porque seu plano é nos transformar naqueles que experimentam a alegria indescritível da adoração inteiramente rendida a sua pessoa e a sua presença do amor interno e da reverência cheia de admiração por elas e do deslumbramento maravilhoso com elas. Que em todas as nossas ações procuremos nos sujeitar humildemente a obra de Deus e adorá-lo em fervor, refletindo para Ele e para o mundo ao nosso redor a excelência de sua graça gloriosa.


FITZPATRICK, Elyse. Tendo prazer em Deus InFITZPATRICK, Elyse. Ídolos do coração: aprendendo desejar somente a Deus. 2. ed. São Paulo: Ed. Vida Nova, 2017. p. 219-235.

 

sábado, 20 de novembro de 2021

Ídolos do coração : quando a idolatria é incentivada

 Estamos há três domingo falando sobre idolatria e esse texto será o quarto sobre em tema. Usaremos como texto-base Gn. 35,17, “E, quando padecia muito, tentando dar à luz, a parteira lhes disse: “não tenha medo, pois você ainda terá outro menino’ (NVI).

Para maior entendimento leia os textos publicados anteriormente, principalmente o do dia 07 de novembro. Vamos destacar esse texto de Gn. 35,17 em outras versões da Bíblia:

- Bíblia Judaica Completa: “Enquanto ela [Raquel], sofria com as dores do parto, a parteira lhe disse: “não se preocupe, este também é filho para você”.

- Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH): “Quando as dores estavam no ponto mais forte, a parteira disse: - não tenha medo, você vai ter outro filho homem.”

-Almeida Revista e Atualizada (ARA): “Em meios as dores de parto, disse-lhe a parteira: não temas, pois ainda terás este filho.”

As quatro versões apontam o destaque que a parteira dá ao filho (ao nascimento) do menino, como forma de consolo, ânimo, motivação para Raquel.

Dentre essas versões a NVI (nova Versão Internacional) e a NTLH dão margem para uma interpretação diferente das outras duas: um terceiro filho: “você ainda terá outro menino” e “você vai ter outro filho homem.” Em parto normal, sabemos que é a cabeça que sai primeiro, logo a parteira não poderia ver o gênero do bebê e como é utilizado o verbo no tempo futuro “você terá”, entendemos que se trata de um terceiro filho já que ela (parteira) ainda estava realizando o parto e empregou o verbo no futuro. Não se tratava do bebê daquele parto (Benjamim) mas sim de um futuro bebê: o terceiro filho.

É a partir desse entendimento que o texto de hoje vai abordar o incentivo a idolatria. Como podemos ver, isso acontece de forma despretensiosa com boa intenção. O que há de errado falar para uma mulher que ela terá outro filho? Nenhum mal, aparentemente. Só que no caso de Raquel esse incentivo, essa palavra motivacional era péssima. Era um conselho, uma ideia para ela continuar na idolatria da maternidade.

Quantas vezes vemos isso nos púlpitos? Diversas! Esse incentivo a idolatria vem em forma de mensagens de autoajuda. Frases motivacionais. Palavras proféticas. Ao centrar as pregações nas vontades humanas e suas realizações aqui na terra, o risco que se corre é esse: motivar alguém a continuar idólatra.

Declaro que você terá sua casa própria. Afinal Deus nos fez cabeça e não cauda! (distorção completa de Dt.28,13) os pregadores param na primeira parte do versículo esquecendo de forma proposital a segunda parte que diz: “se obedecerem aos mandamentos do Senhor”. Quais mandamentos? Os listados em Ex.20 e para o nosso tema os explicitados nos versículos 3 “não terás outros deuses além de mim”, 4 “não farás para ti nenhum ídolo...”, 5 “não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás cultos.”

Ora, se há um ídolo no coração no coração logo há quebra de três mandamentos e assim sendo Dt.28,13 não se cumprirá na vida dessa pessoa.

É pregado isso nas igrejas seja em cultos com presença física ou online? Na maioria das vezes, não! Com mensagem que mais parecem palestras motivacionais, os cristãos não amadurecendo (1Co.3,2; Hb.5,13).

Ao não amadurecer nem percebem que estão na idolatria e continuam alimentando os ídolos escondidos no coração. Entram num ciclo vicioso: mensagens antropocêntricas que alimentam os ídolos, tornando-as mais idólatras e cada vez mais desejando mensagens antropocêntricas. Essas pregações garantem ao idólatra, paz e conforto dando-lhe certeza que está no caminho certo.

Eis o perigo de pastores e mestres não confrontarem os membros de suas igrejas com o verdadeiro evangelho. Aquele que só foco em Cristo e na eternidade (Fp.3,12-14).

Como a própria liderança só mantém o foco na vida terrena então tudo o que é tido como sucesso aqui nesse mundo se torna alvo e objeto de obsessão olhemos para a maioria das igrejas e vejamos o que é tido como bençãos e honra por parte de Deus: sucesso na vida profissional e financeira, casamento bem sucedido e ter uma boa rede de amigos (influência).

A pessoa que obtiver tudo isso será considerada abençoada por Deus. Será um exemplo de servo bom e fiel já que Deus o está abençoando e honrando. Quem não tiver nada disso será considerado amaldiçoado, Deus o está castigando (está no deserto porque fez algo de errado), ou está em rebeldia.

Esses são os conceitos de bençãos e maldições dentro das igrejas. Sabemos pela própria Bíblia que isso é um equívoco terrível.  Em Filipenses 4,12 o apóstolo Paulo deixa claro que um cristão pode viver com pouco: “sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.” O próprio Jesus disse: “as raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça.” (Lc.9,58)

O ser humano já é inclinado a idolatria e a situação piora ainda mais quando ela é incentivada sutilmente por pregações motivacionais centradas no que é sucesso para esse mundo. Além de incentivar a idolatria, essas mensagens, por óbvio, são incapazes de ajudar a identificar se a pessoa está acalentando um “bezerrinho de ouro” em seu coração.

Meus irmãos devemos ter muito cuidado com esses tipos de pregações que mais parecem palestras. Precisamos orar e pedir à Deus para nos mostrar se temos algo em nosso coração que está tomando o lugar de Deus. Precisamos urgentemente identificar e destruir quaisquer ídolos em nossas vidas e rejeitarmos completamente todo e qualquer incentivo a isso, por melhor que pareça a intenção da pessoa.

Que Jesus nos conceda Graça e força para permanecermos somente Nele.