sábado, 7 de setembro de 2019

O quanto arriscaria pelo que é justo ?

"Barzilai, de Gileade, também saiu de Rogelim, acompanhando o rei até o Jordão, para despedir-se dele." (2Sm. 19,31)

Quem era Barzilai ? Um homem de oitenta anos, muito rico que vivia em Gileade, uma região montanhosa a leste do rio Jordão. (2Sm. 19,32 ; 17,27; 19,31).

Ao lermos o texto de Samuel, capítulo 15, vemos que Absalão, filho do rei Davi, havia usurpado o trono do pai e passou a persegui-lo. A lógica aponta que esse usurpador não pouparia ninguém que fosse leal ao seu pai. De modo que Davi e seus servos saíram de Jerusalém (2Sm. 15,6; 13,14).
Quando Davi chegou a Maanaim, uma região a leste do Jordão, Barzilai o ajudou.

Barzilai juntamente com outros dois homens, Sobi e Maquir, foram generosos e supriram as necessidades de Davi. Eles fizeram o possível para atender a tais necessidades, fornecendo ao rei e a seus homens camas, trigo, cevada, farinha, grãos, torrados, favas, lentilhas, mel, manteiga, ovelhas e outras provisões (2Sm. 17, 27-29)

Essa atitude era muita arriscada. Absalão certamente os puniria assim que tivesse a oportunidade. Essa ação exigiu coragem da parte de Barzilai ser leal a Davi.

Quanto ele perderia por ajudar Davi? Muito ! A Bíblia diz que ele era rico. Ele não tinha como saber quem sairia vitorioso desse embate e mesmo assim ele decidiu se arriscar e ajudar o homem injustiçado.

Cabe uma reflexão diante desse exemplo deixado a nós por Barzilai. Quanto estamos dispostos a arriscar pelo que é certo e justo? Quanto arriscaríamos por nos posicionar pelo correto ?
Sabemos que há pessoas que jamais arriscariam alguma coisa. De repente, não precisa correr o risco que Barzilai correu. Pode ser algo mais simples: o quanto estamos dispostos a ajudar alguém que está passando por dificuldade ? Aquela irmã da fé viúva com três filhos, sem emprego e nenhuma alimento em casa. Abriríamos mão de comprar um móvel novo, de guardar um pouco mais na poupança, de fazer aquela viagem de fim de semana, somente para ajudar a alimentar essa família ?

Em 2Sm. 18, 7-15, vemos que a situação de Davi é revertida. Os homens de Absalão e de Davi se encontram e os rebeldes são derrotados e Absalão mesmo tendo tentado escapar, é morto. Mais uma vez Davi era o rei incontestável. 

Quando Davi estava para voltar a Jerusalém, Barzilai o acompanhou até o Jordão e o rei o convidou para Jerusalém prometendo supri-lo com alimento. Barzilai estava sendo recompensado pela lealdade. Ora, ele era rico. Não precisava de suprimentos, Davi, na verdade, queria sua presença na corte por causa de suas qualidades e retidão de caráter. Barzilai respeitosamente recusou o convite e abriu mão de um grande privilégio (2Sm. 19,34-35).

Essa atitude mostra que ele agiu bem com Davi sem interesses em futuras recompensas. Não visou ser recompensado nessa terra. 

Temos que nos perguntar sempre: por que estou fazendo determinadas ações (ajudando o próximo, exercendo atividades na igreja, dedicando-se no discipulado de outros) ? É por que é o correto ou por que quero algum tipo de recompensa futura (seja ela material ou reconhecimento) ? Dependendo do que há no nosso coração, as nossas ações podem ser em vão. Se formos retribuídos aqui nesse mundo, a nossa recompensa celestial será anulada.

A Reflexão proposta por esse texto é: o quanto eu arriscaria por agir de forma justa ? Se eu arriscasse, esperaria alguma recompensa imediata ou futura nessa terra ?

Temos sempre que ter isso em mente o tempo todo.


sábado, 10 de agosto de 2019

Ansiedade



 Ansiedade é a preocupação com o que vai acontecer. Ela envolve preocupação, irritabilidade, inquietação e outros sintomas e comportamentos prejudiciais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) , o Brasil ocupa a primeira posição, com o maior número de pessoas ansiosas: 18,6 milhões de brasileiros sofrem com ansiedade.

 O Relatório da OMS publicado em março de 2019 indica que a ansiedade é a segunda condição mental, depois da depressão, com maior incidência de incapacidade na maioria dos países analisados. A entidade ainda revelou que o Brasil também ocupa o topo do ranking quando o assunto é o tempo de convivência com a incapacidade provocada por transtornos psicológicos. 

Muitas pessoas, mais até do que muitos imaginam, sofrem desse mal que causa um grande sofrimento. Dezoito milhões e 600 mil ... Muitas pessoas e esse número pode ser ainda maior.

Antes de enfrentar uma situação que poderá ser perigosa ou difícil, é natural ficar ansioso. Mas a ansiedade não ajuda, só piora a situação. Não é bom ficar dominado pela ansiedade porque:

Causa sofrimento desnecessário - não se sabe o que vai acontecer; poderá não ser tão mau como se acha. Não vale a pena ficar sofrendo antes de uma coisa ruim acontecer - Mt. 6,34

Distorce a realidade dos fatos - a pessoa muito ansiosa não consegue pensar direito e tem dificuldade em tomar decisões certas

Impede de seguir os planos de Deus - a ansiedade torna a pessoa relutante em fazer o que Deus quer, porque acha que não vai correr bem e não se sente segura - Lc. 12,29-31

Enfraquece a fé - a ansiedade tira os pensamentos de Deus e Suas promessas; pode-se acreditar mais nos medos que se sente do que na verdade de Deus.

Se você estiver sofrendo com a ansiedade procure uma pessoa de confiança para lhe ajudar. Se a ansiedade está causando problemas físicos, procure também ajuda médica.

Abaixo alguns textos bíblicos :

Os meus inimigos pressionam-me sem para; muitos me atacam arrogantemente. Mas eu, quando estiver com medo, confiarei em Ti (Sl. 56,2-3)

Levanto os meu olhos para os montes e pergunto: de onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra. (Sl. 121, 1-2)

Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte não temerei perigo algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem. (Sl. 23,4)

Por isso não tema eu estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; Eu o segurarei com a minha mão direita vitoriosa (Is.41,10)

O coração ansioso deprime o homem, mas uma palavra bondosa o anima (Pv. 12,25)

Busquei ao Senhor e Ele me respondeu; livrou-me de todos os meus temores (Sl.34,4)

Portanto não se preocupem, dizendo: que vamos comer? ou que vamos beber? ou que vamos vestir? Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. (Mt. 6,31-32)

Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados e eu lhes darei descanso (Mt. 11,28)

Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração, súplicas e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. (Fp. 4,6)

Meditem na letra do hino 577 (Em fervente oração) da Harpa Cristã. 


Referências:

Os brasileiros são os mais ansiosos do mundo, classifica OMS. Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/os-brasileiros-sao-os-mais-ansiosos-do-mundo-segundo-a-oms/ Acesso em: 10 ago. 2019.

Versículos Bíblicos para combater a ansiedade. Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/os-brasileiros-sao-os-mais-ansiosos-do-mundo-segundo-a-oms/ Acesso em: 10 ago. 2019.

Como controlar a Ansiedade usando a Bíblia e confiando em Deus. Disponível em: https://www.respostas.com.br/como-controlar-a-ansiedade/ Acesso em: 10 ago. 2019.







domingo, 21 de julho de 2019

A caverna e o cristão


Ali entrou numa caverna e passou a noite. O Senhor aparece a Elias e a palavra do Senhor veio a ele: "o que você está fazendo aqui, Elias?  (1Rs. 19,9)

Todo cristão que estuda a Bíblia conhece a história de Elias. Ele pregou contra a idolatria em Israel trazida pela rainha Jezabel, esposa de Acabe, rei de Israel. No monte Carmelo saiu vitorioso diante dos adoradores de Baal. Para entender a grandiosidade dessa estória, leia 1 Reis, 18.

Justamente depois dessa grande experiência que ele teve com Deus, Elias se viu sem saída diante das ameaças de Jezabel: "que os deuses me castiguem com todo o rigor, se amanhã nesta hora eu não fizer com a sua vida [vida de Elias] o que você fez com a deles" (1 Rs. 19,2). No versículo 3 desse mesmo texto diz que Elias teve medo e fugiu para salvar a sua vida. 

Aqui começa o processo de depressão de Elias: o medo. Ao sentir medo das ameaças da rainha, ele decidiu fugir. Sabemos que fuga é desgastante e causa mais medo por que as dificuldades começam a surgir no caminho. Essas dificuldades causam mais temor, e entra-se num ciclo: mais temor, aumenta o medo que aumenta o sentimento de necessidade de fuga, que aumenta ainda mais as dificuldades e que aumenta o temor, assim por diante. Até chegar ao ponto que Elias chegou: "... já tive o bastante Senhor, tira a minha vida; não sou melhor do que os meus antepassados".

Do que você está com medo? Do que você está fugindo?

Depois de ver os milagres que Deus operou, mesmo assim, Elias sentiu medo e fugiu. Por que ele não entregou o seu temor a Deus? Até mesmo homens de Deus, homens de oração, homens escolhidos por Deus, falham. Elias falhou em não apresentar a Deus a sua situação desfavorável. Aqui temos que aprender uma lição: ao surgir uma situação que aos nossos olhos não tem saída, não vemos como resolvê-la, temos que apresentar, à Deus, em oração. Se não fizermos isso, seguiremos o caminho de Elias: medo e fuga.

Vamos listar o que levou Elias a essa situação:

1) Elias deu ouvidos as ameaças
2) Não apresentou a causa adversa a Deus
3) Permitiu que o medo o dominasse
4) Deixou que sua limitação o fizesse esquecer da onipotência de Deus

O item 3, como já foi dito anteriormente, que causou o sentimento de impotência do profeta. O medo paralisa, embaça a visão, nos coloca em fuga, seja ela física ou mental.

Mesmo sem ter entregado a situação a Deus, vemos nos versículos 5 à 9, que Deus teve misericórdia de Elias e agiu em seu favor:

1) Enviou uma anjo com pão e água
2) Permitiu que ele tivesse um bom sono
3) Novamente alimentado pelo anjo

Elias além de esgotado psicologicamente também o estava fisicamente, Deus sabia disso e o tratou para recuperá-lo, habilitando-o de novo para continuar o seu trabalho para o Senhor.

Será que Deus não tem te oferecido água e pão e você não está percebendo? Água e pão podem aparecer de diversas formas: um bom conselho de alguém enviado pelo próprio Deus para te orientar, 
pode ser uma nova porta que se abriu que irá te tirar do foco do problema enfrentado, pode até ser uma porta que se fechou e você está lamentando mas na verdade esse fechamento pode ser seu pão e sua água. Quem sabe assim você se encontrará com Deus no "monte Horebe" e ali, O verá face a face.

Olhe atentamente ao seu redor, e veja se não há nenhum pão assado na brasa e um copo d'agua. Ás vezes, Deus já té providenciou uma forma de nos fortalecer para continuarmos nossa jornada e nós é que não conseguimos enxergar em meio ao sono dentro da caverna ou debaixo de uma árvore.

Se você está se sentindo ameaçado, está com medo, pensando em fugir ou até mesmo já está em fuga, sugiro que pare agora mesmo e faça uma oração sincera ao seu Pai que tudo pode e tudo sabe. Ore! Entregue seu caminho ao Senhor; confie Nele, e Ele agirá (Sl. 37,5).

Ao se encontrar com Deus no monte e escutar suas orientações, Elias retomou seu ministério (1 Rs.19,15-16) Você só conseguirá retomar seu caminho, sua vida, se você escutar o que Deus tem para te dizer. Enquanto estiver fugindo e com medo, o barulho do desespero será ensurdecedor e você jamais escutará o que Deus tem para falar com você. Pare. Ore. Espere. Escute. Obedeça.

Que Deus possa te abençoar, enxugar suas lágrimas e te dar um novo cântico.


segunda-feira, 13 de maio de 2019

Fé, exerça a sua !


A palavra grega pistis frequentemente significa a confiança expressa numa vida de fé. Nesse contexto, significa fidelidade. A fidelidade reflete a natureza de Deus. Ele é fidedigno. O dom da fé é o primeiro na categoria dos cinco dons de poder, em 1Co. 12, 8-10, relacionados ao mútuo ministério entre os membros do corpo de Cristo.

Em Judas 3 lemos: "amados, procurando eu escrever-nos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos". Esta fé deve ser preservada e fortalecida a cada dia. Em Cl. 2, 6-8, lemos: "como pois recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele, arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças. Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens.

Quando duvidamos da Palavra de Deus insinuamos que ela não é verdade a toda dúvida da Palavra procede diretamente do diabo. O diabo tenta minar o fundamento de nossa fé que é a Palavra. A fé é nossa condição de vida. "Está escrito o justo viverá pela fé" (Gl. 3,11). Sem ela seremos como um barco à deriva. Em 1 Tm. 1,19 lemos assim: "conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizerem naufrágio na fé.

Outra considerações acerca da importância da fé:

Somos salvos pela graça por meio da fé (Ef. 2,8-9)
Temos acesso a Cristo pela fé (Ef. 3,12)
Cristo habita em nossos corações pela fé (Ef. 3,17)
A fé é um escudo para proteção da alma (Ef. 6,16)
Somos guardados pela fé (1Pe. 1,5 ; 1Co. 1,24)

A fé é o princípio da obediência. Só obedece quem tem fé e só quem tem fé obedece. Portanto não praticar a Palavra de Deus significa não ter fé nele.

Amados irmãos quero encorajá-los a ler e meditar em Hebreus 11. Pesquise e se aprofunde na vida de cada pessoa citada nesse texto. Preste atenção no comportamento, motivações, intenções e ações dessas pessoas. Sempre podemos e devemos aprender diariamente com os textos bíblicos. Lembremos mais uma vez: "sem fé é impossível agradar a Deus". (Hb.11,6)

segunda-feira, 6 de maio de 2019

O Fruto do Espírito Santo


Há um tempo fiz uma pesquisa sobre esse assunto e recuperei artigos interessantes sobre o tema. Um deles eu imprimi e guardei. Pensando sobre o que escreveria hoje, lembrei desse estudo. Vou compartilhar com vocês de forma resumida esse artigo que estava guardado na gaveta srsrsr

Vamos ao texto:

No interior de cada cristão é travado um grande conflito: o Espírito contra a carne. "Por que a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, por que são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer" (Gl. 5,17).

Até o dia da nossa conversão, a "carne" ou a natureza pecaminosa reinava sozinha. Nascemos de novo e o Espírito Santo veio habitar em nós com o objetivo de controlar e mudar toda nossa vida. O conflito é inevitável, mas se desejamos uma vida cristã vitoriosa, devemos, entregar o controle e a direção da nossa vida ao Espírito Santo. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito (Gl. 5,25).

O que é o Fruto?

O fruto do Espírito Santos são qualidades morais divinamente implantadas. São resultados da ação do Espírito em nosso caráter.

Primeiro: a sua origem é sobrenatural - "do Espírito" (genitivo grego que indica fonte ou causa). É de responsabilidade do próprio Espírito. Precisamos ter humildade, pois não podemos produzir este fruto.

Segundo: o seu crescimento é natural. O "fruto" faz parte da "lei da semeadura e da colheita": aquilo que o homem semear, isso também ceifará" (Gl.6,7). O nosso interior é como um campo onde estamos semeando diariamente. Se você deseja que o Espírito Santo produza o fruto em você, forneça-lhe os meios: oração e leitura bíblica. 

Terceiro: a sua maturidade é gradual. Antes de ser um fruto maduro, há etapas que precisam ser cumpridas. Isto demanda tempo: primeiro a flor, depois o embrião e por fim, o fruto (Mc. 4,28). O Espírito Santo não tem pressa e um caráter cristão maduro é resultado de uma vida inteira.

O Fruto do Espírito Santo

Lemos em Galátas 5, 22-23: "Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longaminidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.
Há uma classificação comum destas virtudes: amor, alegria, paz (meu relacionamento com Deus); longanimidade, benignidade e bondade (meu relacionamento com os outros); fidelidade, mansidão e domínio próprio (relacionamento comigo).

Vejamos cada virtude:

Amor

Na língua grega "amor" (ágape" é uma palavra distinta para descrever a natureza do amor de Deus (Jo 3, 16). Ele nos amou sem que  oferecêssemos motivos para que Ele nos amasse. E é esse amor que o Espírito derrama em nosso coração (Rm. 5,5), para que possamos obedecer ao mandamento de Jesus: o meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei (Jo 15,12).

Alegria

A Alegria (no grego "charis") é o gozo da graça, é um bem-estar espiritual, resultado de uma correta relação com Deus. A fonte desta alegria é o Senhor (Fp. 3,1; 4,4; Rm. 12,12). Esta alegria independe das circunstâncias externas e pode ser desfrutada em meio às tristezas e aflições desta vida.

Paz

Paz (Shalom, no hebraico - Jz. 6,24) inclui tudo quanto Deus tem dado em todas as áreas da vida. A paz é uma dádiva de Deus (Sl. 4,8; 29, 10-11) e pode ser desfrutada somente na presença de Deus (Nm. 6,24). A Paz de Cristo não significa ausência de guerra, mas é uma tranquilidade interior.

Longanimidade

Longanimidade ("makrothumia", no grego), significa literalmente "folego comprido" ou "lento à ira". É a paciência para suportar injúrias de outras pessoas. É um atributo de Deus, que tolera pacientemente todas as fraquezas humanas, não se deixando tomar por explosões de ira ou furor (Nm. 14, 18; Sl. 86,15; Rm. 2,4; 1Pe. 3,20).

Benignidade

Benignidade (no grego, "chrestotes") significa uma disposição gentil e graciosa para com os outros. Também significa "excelência de caráter" e "honestidade". É um atributo divino (Mt. 11,30; Tt.3,4), Jesus Cristo é o nosso modelo de gentileza, pois sempre se mostrou gentil para com os seus semelhantes.

Bondade

Bondade (no grego, "agathosune") significa aquilo que é bom e útil. É a qualidade de generosidade e de ação gentil para com outras pessoas. Bondade e benignidade são termos que estão ligados entre si (Rm. 2,4; Ef. 2,7).


Fé (no grego, "pistis") pode significar tanto "confiança" quanto "fidelidade". Para Paulo, "fé" significa o recebimento da mensagem da salvação e a conduta baseada no Evangelho (Rm. 1,8; 1Co. 2,5; 15,3; 14,17).

Mansidão

Mansidão (no grego, "prautes") possui três significados principais: submissão a Deus (Mt. 5,5; 11,29); dócil ou não soberbo (Tg. 1,21); consideração (1Co. 4,21; 2Co. 10,1; Ef. 4,2). O termo era aplicado também para coisas, palavras, remédios, ações e sentimentos que acalmam e suavizam.

Domínio Próprio

Domínio Próprio (no grego, "egkrateia) significa "autocontrole", o domínio dos próprios desejos e apetites. É o senhorio sobre a língua, os pensamentos, os apetites e as paixões sexuais (Pv. 16,32; 1Co. 7,9; 9,25).

Quando olhamos para o fruto do Espírito Santo vemos um retrato de Jesus. Todas as nove virtudes acima estão presentes no caráter de Cristo. Elas só podem ser implantadas no cristão, por intermédio do Espírito Santo. Ele quem opera a transformação moral do cristão. Que possamos permitir que o Santo Espírito trabalhe o nosso interior e nos molde de acordo com sua vontade, cultivando em nós as suas virtudes.

Indicação de música: Liberta-me de mim da Luma Elpídio. Link abaixo.


segunda-feira, 29 de abril de 2019

Perdão : um mandamento de Deus


Em Mt. 5, 23-24 está escrito: "portanto se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.

A Palavra de Deus é clara quanto ao fato de que se não perdoarmos a quem nos ofende, então, Deus também não nos perdoará. Foi isso que Jesus disse na oração do Pai nosso (Mt. 6, 14-15):
"Pois, se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também perdoará vocês. Mas, se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não perdoará as ofensas de vocês.

Deus tem nos dado seu perdão gratuitamente, sem que o merecêssemos, e espera que sejamos misericordioso para com quem nos ofende. Se agirmos como Jesus nos ordenou, permaneceremos na reconciliação alcançada por Cristo. Contudo, se nos negarmos a perdoar, interromperemos o fluxo da graça de Deus em nossas vida  e nossa reconciliação com o Pai é comprometida pela ausência do perdão aos nossos semelhantes. 

As ofensas das pessoas contra nós não são nada perto das nossas ofensas que Deus deixou de levar em conta. E a premissa bíblica é de que se podemos ser perdoados por Ele, então também devemos perdoar a qualquer um que nos ofenda. Quem não perdoa está preso. Em Mt. 18,34 diz que "irado, seu senhor entregou-o aos torturadores, até que pagasse tudo o que devia". Além de preso aquele homem seria torturado como forma de punição. Isso aponta para uma realidade espiritual na vida de quem não perdoa. Os demônios amarram a vida daqueles que retém o perdão. Suas torturas aplicadas são as mais diversas: angústia, depressão, enfermidades, debilidades físicas, raiva, autopiedade etc.

A falta de perdão produz dano maior em quem está ferido do que naquele que feriu. Sem perdão não há cura. A doença interior só se complica, e a saúde espiritual, emocional e física da pessoa ressentida é seriamente afetada.

O ofensor precisa merecer perdão? Não. Devemos perdoar como Deus nos perdoou. Em Ef. 4, 32, Paulo diz: "sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo. Esse texto diz que nosso perdão e reconciliação para com os outros deve seguir o mesmo exemplo do que Deus em Jesus praticou para conosco. O perdão é uma ato de misericórdia. Não tem a ver com merecimento.

Quantas vezes temos que perdoar uma pessoa? A resposta está em Mt. 18, 21-22. Pedro pergunta à Jesus até quantas vezes tem que perdoar um irmão. Jesus responde: setenta vezes sete, ou seja, quatrocentos e noventa vezes. Aqui subentende-se que Jesus está enfatizando que não há limite para perdoar.

O único que lucra com a falta de perdão é o diabo, pois ele passa a ter domínio sobre a vida de quem está retendo o perdão. Em Ef. 4,27 diz que não devemos dar lugar ao diabo e em 1Pe. 5,8, que devemos resisti-lo. Mas quando nos recusamos a perdoar, estamos deliberadamente quebrando todos esses mandamentos.

O perdão é uma decisão e uma atitude de fé. O perdão não flui espontaneamente, deve ser gerado no coração por levar em consideração aquilo que Deus fez por nós e sua ordem é perdoar. As consequências da falta do perdão precisam ser lembradas, para dar mais munição à razão.

Lembremos sempre: perdoar os outros não é uma opção para os cristãos: é um mandamento. Vamos enfatizar alguns pontos:

1) Perdoar os outros quando eles nos ofendem faz parte da nossa gratidão a Deus por ter nos perdoado através da morte de Cristo na Cruz.

2) Perdoar as pessoas é uma demonstração de amor. Como Deus é o Pai que nos ama, Ele quer perdoar os nossos pecados para restaurar as nossas relações com Ele. Assim como Deus quer que amemos o nosso próximo, da mesma maneira devemos perdoá-los.

3) Perdoar os outros é um teste infalível da nossa fé. 

Portanto, meus irmãos, através desse texto , quero encorajar você a perdoar quem lhe fez mal. Mesmo que esse mal tenha arruinado a sua vida. Não continue arruinando a si mesmo, alimentando esse rancor, ressentimento, ódio, desejo de vingança. Ao fazer isso, você estará envenenando a si próprio e não consertará o que houve.

Ore a Deus diligentemente pedindo à Ele que o capacite a perdoar aquele que te fez mal. Passe a orar pelo ofensor, isso o ajudará a liberar o perdão. Que Deus te capacite, cure o seu coração e te abençôe poderosamente. 


Referencias:

SUBIRA, Luciano. Compreendendo o perdão. Disponível em: http://www.orvalho.com/ministerio/estudos-biblicos/compreendendo-o-perdao-por-luciano-subira/ Acesso em: 27 abr. 2019.

MOUCARRY, Chawkat. Perdoar como o Senhor perdoou. Disponível em: http://ultimato.com.br/sites/maosdadas/2016/01/22/estudo-biblico-perdoar-como-o-senhor-o-perdoou/ Aceso em 27 abr. 2019.


segunda-feira, 22 de abril de 2019

A alegria na santidade


Esse é o último capítulo do livro A busca da santidade, dessa forma, chegamos ao fim dos fichamentos desse livro e, espero que tenha sido proveitoso para os que leram e seja para os que ainda irão ler.

Deus pretende que a vida cristã seja uma vida de alegria, não de tédio. A ideia de que santidade anda associada a uma disposição sombria é uma caricatura do pior tipo. De fato, acontece exatamente o contrário. Só aqueles que andam em santidade experimentam  verdadeira alegria.

Jesus disse: "Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim, como tenho obedecido aos mandamentos de meu Pai e em seu amor permaneço. Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja com vocês e a alegria de vocês seja completa"(Jo. 15, 10-11). Nesta afirmação, Jesus liga obediência com alegria, numa relação de causa e efeito; isto é, a alegria resulta da obediência. Só os que são obedientes, que buscam a santidade como estilo de vida, conhecerão a alegria que vem de Deus.

A verdadeira alegria só vem de Deus e ele partilha dessa alegria com os que andam em comunhão com ele. Quando Davi cometeu os terríveis pecados de adultério e assassinato, perdeu o seu senso da alegria de Deus, por ter perdido a comunhão com Deus. Depois disso, na sua oração de penitência, pediu a Deus: "Restitui-me a alegria da tua salvação" (Sl. 51,12). Uma vida de desobediência não pode ser uma vida de alegria.

A experiência diária do amor de Cristo está ligada à nossa obediência a ele. Isto não significa que o seu amor seja condicionado pela nossa obediência. Isso seria legalismo. Mas a nossa experiência do seu amor depende da nossa obediência. Outra causa da alegria é saber que estou obedecendo a Deus, que já não estou resistindo-lhe em alguma área específica da minha vida. Essa alegria torna-se particularmente evidente quando, após uma longa luta entre o Espírito e a nossa natureza pecaminosa, resolvemos final e radicalmente, pela sua graça, o problema dum pecado que nos assediava e nos dominava. Podemos chamar-lhe a alegria da vitória; eu prefiro chamar-lhe a alegria da obediência.

A Alegria não somente resulta de uma vida santa, mas há também um sentido em que a alegria ajuda a produzir uma vida santa. Neemias disse as desanimados exilados que tinham voltado a Jerusalém: "A alegria do Senhor é a vossa força. (Nm. 8,10). O cristão que vive em desobediência vive também privado de alegria e esperança, mas quando começa a entender que Cristo o libertou do reino do pecado, quando começa a ver que está unido àquele que tem todo o poder e autoridade, e que é possível andar em obediência, então começa a ter esperança.

É evidente que Deus não nos mandou ser santos sem providenciar os meios para tal. O privilégio de sermos santos é nosso, e a decisão e responsabilidade de sermos santos são nossas. Se fizermos essa decisão, experimentarmos a plenitude de gozo que Cristo prometeu àqueles que vivem em obediência a ele.


Referência:

BRIDGES, Jerry. A alegria da santidade. In:____. A busca da santidade. Brasília, DF. Ed. Monergismo, 2013. cap. 17, p. 161-165.