"Barzilai, de Gileade, também saiu de Rogelim, acompanhando o rei até o Jordão, para despedir-se dele." (2Sm. 19,31)
Quem era Barzilai ? Um homem de oitenta anos, muito rico que vivia em Gileade, uma região montanhosa a leste do rio Jordão. (2Sm. 19,32 ; 17,27; 19,31).
Ao lermos o texto de Samuel, capítulo 15, vemos que Absalão, filho do rei Davi, havia usurpado o trono do pai e passou a persegui-lo. A lógica aponta que esse usurpador não pouparia ninguém que fosse leal ao seu pai. De modo que Davi e seus servos saíram de Jerusalém (2Sm. 15,6; 13,14).
Quando Davi chegou a Maanaim, uma região a leste do Jordão, Barzilai o ajudou.
Barzilai juntamente com outros dois homens, Sobi e Maquir, foram generosos e supriram as necessidades de Davi. Eles fizeram o possível para atender a tais necessidades, fornecendo ao rei e a seus homens camas, trigo, cevada, farinha, grãos, torrados, favas, lentilhas, mel, manteiga, ovelhas e outras provisões (2Sm. 17, 27-29)
Essa atitude era muita arriscada. Absalão certamente os puniria assim que tivesse a oportunidade. Essa ação exigiu coragem da parte de Barzilai ser leal a Davi.
Quanto ele perderia por ajudar Davi? Muito ! A Bíblia diz que ele era rico. Ele não tinha como saber quem sairia vitorioso desse embate e mesmo assim ele decidiu se arriscar e ajudar o homem injustiçado.
Cabe uma reflexão diante desse exemplo deixado a nós por Barzilai. Quanto estamos dispostos a arriscar pelo que é certo e justo? Quanto arriscaríamos por nos posicionar pelo correto ?
Sabemos que há pessoas que jamais arriscariam alguma coisa. De repente, não precisa correr o risco que Barzilai correu. Pode ser algo mais simples: o quanto estamos dispostos a ajudar alguém que está passando por dificuldade ? Aquela irmã da fé viúva com três filhos, sem emprego e nenhuma alimento em casa. Abriríamos mão de comprar um móvel novo, de guardar um pouco mais na poupança, de fazer aquela viagem de fim de semana, somente para ajudar a alimentar essa família ?
Em 2Sm. 18, 7-15, vemos que a situação de Davi é revertida. Os homens de Absalão e de Davi se encontram e os rebeldes são derrotados e Absalão mesmo tendo tentado escapar, é morto. Mais uma vez Davi era o rei incontestável.
Quando Davi estava para voltar a Jerusalém, Barzilai o acompanhou até o Jordão e o rei o convidou para Jerusalém prometendo supri-lo com alimento. Barzilai estava sendo recompensado pela lealdade. Ora, ele era rico. Não precisava de suprimentos, Davi, na verdade, queria sua presença na corte por causa de suas qualidades e retidão de caráter. Barzilai respeitosamente recusou o convite e abriu mão de um grande privilégio (2Sm. 19,34-35).
Essa atitude mostra que ele agiu bem com Davi sem interesses em futuras recompensas. Não visou ser recompensado nessa terra.
Temos que nos perguntar sempre: por que estou fazendo determinadas ações (ajudando o próximo, exercendo atividades na igreja, dedicando-se no discipulado de outros) ? É por que é o correto ou por que quero algum tipo de recompensa futura (seja ela material ou reconhecimento) ? Dependendo do que há no nosso coração, as nossas ações podem ser em vão. Se formos retribuídos aqui nesse mundo, a nossa recompensa celestial será anulada.
A Reflexão proposta por esse texto é: o quanto eu arriscaria por agir de forma justa ? Se eu arriscasse, esperaria alguma recompensa imediata ou futura nessa terra ?
Temos sempre que ter isso em mente o tempo todo.