Estamos há três domingo falando
sobre idolatria e esse texto será o quarto sobre em tema. Usaremos como
texto-base Gn. 35,17, “E, quando padecia muito, tentando dar à luz, a parteira
lhes disse: “não tenha medo, pois você ainda terá outro menino’ (NVI).
Para maior entendimento leia os
textos publicados anteriormente, principalmente o do dia 07 de novembro. Vamos
destacar esse texto de Gn. 35,17 em outras versões da Bíblia:
- Bíblia Judaica Completa: “Enquanto
ela [Raquel], sofria com as dores do parto, a parteira lhe disse: “não se preocupe,
este também é filho para você”.
- Nova Tradução na Linguagem de
Hoje (NTLH): “Quando as dores estavam no ponto mais forte, a parteira disse: -
não tenha medo, você vai ter outro filho homem.”
-Almeida Revista e Atualizada
(ARA): “Em meios as dores de parto, disse-lhe a parteira: não temas, pois ainda
terás este filho.”
As quatro versões apontam o
destaque que a parteira dá ao filho (ao nascimento) do menino, como forma de
consolo, ânimo, motivação para Raquel.
Dentre essas versões a NVI (nova
Versão Internacional) e a NTLH dão margem para uma interpretação diferente das
outras duas: um terceiro filho: “você ainda terá outro menino” e “você vai ter
outro filho homem.” Em parto normal, sabemos que é a cabeça que sai primeiro,
logo a parteira não poderia ver o gênero do bebê e como é utilizado o verbo no
tempo futuro “você terá”, entendemos que se trata de um terceiro filho já que
ela (parteira) ainda estava realizando o parto e empregou o verbo no futuro.
Não se tratava do bebê daquele parto (Benjamim) mas sim de um futuro bebê: o
terceiro filho.
É a partir desse entendimento que
o texto de hoje vai abordar o incentivo a idolatria. Como podemos ver, isso
acontece de forma despretensiosa com boa intenção. O que há de errado falar
para uma mulher que ela terá outro filho? Nenhum mal, aparentemente. Só que no
caso de Raquel esse incentivo, essa palavra motivacional era péssima. Era um
conselho, uma ideia para ela continuar na idolatria da maternidade.
Quantas vezes vemos isso nos
púlpitos? Diversas! Esse incentivo a idolatria vem em forma de mensagens de
autoajuda. Frases motivacionais. Palavras proféticas. Ao centrar as pregações
nas vontades humanas e suas realizações aqui na terra, o risco que se corre é
esse: motivar alguém a continuar idólatra.
Declaro que você terá sua casa
própria. Afinal Deus nos fez cabeça e não cauda! (distorção completa de Dt.28,13)
os pregadores param na primeira parte do versículo esquecendo de forma
proposital a segunda parte que diz: “se obedecerem aos mandamentos do Senhor”.
Quais mandamentos? Os listados em Ex.20 e para o nosso tema os explicitados nos
versículos 3 “não terás outros deuses além de mim”, 4 “não farás para ti nenhum
ídolo...”, 5 “não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás cultos.”
Ora, se há um ídolo no coração no
coração logo há quebra de três mandamentos e assim sendo Dt.28,13 não se
cumprirá na vida dessa pessoa.
É pregado isso nas igrejas seja
em cultos com presença física ou online? Na maioria das vezes, não! Com
mensagem que mais parecem palestras motivacionais, os cristãos não amadurecendo
(1Co.3,2; Hb.5,13).
Ao não amadurecer nem percebem
que estão na idolatria e continuam alimentando os ídolos escondidos no coração.
Entram num ciclo vicioso: mensagens antropocêntricas que alimentam os ídolos,
tornando-as mais idólatras e cada vez mais desejando mensagens
antropocêntricas. Essas pregações garantem ao idólatra, paz e conforto
dando-lhe certeza que está no caminho certo.
Eis o perigo de pastores e
mestres não confrontarem os membros de suas igrejas com o verdadeiro evangelho.
Aquele que só foco em Cristo e na eternidade (Fp.3,12-14).
Como a própria liderança só mantém
o foco na vida terrena então tudo o que é tido como sucesso aqui nesse mundo se
torna alvo e objeto de obsessão olhemos para a maioria das igrejas e vejamos o
que é tido como bençãos e honra por parte de Deus: sucesso na vida profissional
e financeira, casamento bem sucedido e ter uma boa rede de amigos (influência).
A pessoa que obtiver tudo isso
será considerada abençoada por Deus. Será um exemplo de servo bom e fiel já que
Deus o está abençoando e honrando. Quem não tiver nada disso será considerado
amaldiçoado, Deus o está castigando (está no deserto porque fez algo de
errado), ou está em rebeldia.
Esses são os conceitos de bençãos
e maldições dentro das igrejas. Sabemos pela própria Bíblia que isso é um equívoco
terrível. Em Filipenses 4,12 o apóstolo
Paulo deixa claro que um cristão pode viver com pouco: “sei o que é passar
necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em
toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou
passando necessidade.” O próprio Jesus disse: “as raposas têm suas tocas e as
aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a
cabeça.” (Lc.9,58)
O ser humano já é inclinado a
idolatria e a situação piora ainda mais quando ela é incentivada sutilmente por
pregações motivacionais centradas no que é sucesso para esse mundo. Além de
incentivar a idolatria, essas mensagens, por óbvio, são incapazes de ajudar a
identificar se a pessoa está acalentando um “bezerrinho de ouro” em seu
coração.
Meus irmãos devemos ter muito
cuidado com esses tipos de pregações que mais parecem palestras. Precisamos
orar e pedir à Deus para nos mostrar se temos algo em nosso coração que está
tomando o lugar de Deus. Precisamos urgentemente identificar e destruir quaisquer
ídolos em nossas vidas e rejeitarmos completamente todo e qualquer incentivo a
isso, por melhor que pareça a intenção da pessoa.
Que Jesus nos conceda Graça e força
para permanecermos somente Nele.