segunda-feira, 29 de abril de 2019

Perdão : um mandamento de Deus


Em Mt. 5, 23-24 está escrito: "portanto se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.

A Palavra de Deus é clara quanto ao fato de que se não perdoarmos a quem nos ofende, então, Deus também não nos perdoará. Foi isso que Jesus disse na oração do Pai nosso (Mt. 6, 14-15):
"Pois, se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também perdoará vocês. Mas, se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não perdoará as ofensas de vocês.

Deus tem nos dado seu perdão gratuitamente, sem que o merecêssemos, e espera que sejamos misericordioso para com quem nos ofende. Se agirmos como Jesus nos ordenou, permaneceremos na reconciliação alcançada por Cristo. Contudo, se nos negarmos a perdoar, interromperemos o fluxo da graça de Deus em nossas vida  e nossa reconciliação com o Pai é comprometida pela ausência do perdão aos nossos semelhantes. 

As ofensas das pessoas contra nós não são nada perto das nossas ofensas que Deus deixou de levar em conta. E a premissa bíblica é de que se podemos ser perdoados por Ele, então também devemos perdoar a qualquer um que nos ofenda. Quem não perdoa está preso. Em Mt. 18,34 diz que "irado, seu senhor entregou-o aos torturadores, até que pagasse tudo o que devia". Além de preso aquele homem seria torturado como forma de punição. Isso aponta para uma realidade espiritual na vida de quem não perdoa. Os demônios amarram a vida daqueles que retém o perdão. Suas torturas aplicadas são as mais diversas: angústia, depressão, enfermidades, debilidades físicas, raiva, autopiedade etc.

A falta de perdão produz dano maior em quem está ferido do que naquele que feriu. Sem perdão não há cura. A doença interior só se complica, e a saúde espiritual, emocional e física da pessoa ressentida é seriamente afetada.

O ofensor precisa merecer perdão? Não. Devemos perdoar como Deus nos perdoou. Em Ef. 4, 32, Paulo diz: "sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo. Esse texto diz que nosso perdão e reconciliação para com os outros deve seguir o mesmo exemplo do que Deus em Jesus praticou para conosco. O perdão é uma ato de misericórdia. Não tem a ver com merecimento.

Quantas vezes temos que perdoar uma pessoa? A resposta está em Mt. 18, 21-22. Pedro pergunta à Jesus até quantas vezes tem que perdoar um irmão. Jesus responde: setenta vezes sete, ou seja, quatrocentos e noventa vezes. Aqui subentende-se que Jesus está enfatizando que não há limite para perdoar.

O único que lucra com a falta de perdão é o diabo, pois ele passa a ter domínio sobre a vida de quem está retendo o perdão. Em Ef. 4,27 diz que não devemos dar lugar ao diabo e em 1Pe. 5,8, que devemos resisti-lo. Mas quando nos recusamos a perdoar, estamos deliberadamente quebrando todos esses mandamentos.

O perdão é uma decisão e uma atitude de fé. O perdão não flui espontaneamente, deve ser gerado no coração por levar em consideração aquilo que Deus fez por nós e sua ordem é perdoar. As consequências da falta do perdão precisam ser lembradas, para dar mais munição à razão.

Lembremos sempre: perdoar os outros não é uma opção para os cristãos: é um mandamento. Vamos enfatizar alguns pontos:

1) Perdoar os outros quando eles nos ofendem faz parte da nossa gratidão a Deus por ter nos perdoado através da morte de Cristo na Cruz.

2) Perdoar as pessoas é uma demonstração de amor. Como Deus é o Pai que nos ama, Ele quer perdoar os nossos pecados para restaurar as nossas relações com Ele. Assim como Deus quer que amemos o nosso próximo, da mesma maneira devemos perdoá-los.

3) Perdoar os outros é um teste infalível da nossa fé. 

Portanto, meus irmãos, através desse texto , quero encorajar você a perdoar quem lhe fez mal. Mesmo que esse mal tenha arruinado a sua vida. Não continue arruinando a si mesmo, alimentando esse rancor, ressentimento, ódio, desejo de vingança. Ao fazer isso, você estará envenenando a si próprio e não consertará o que houve.

Ore a Deus diligentemente pedindo à Ele que o capacite a perdoar aquele que te fez mal. Passe a orar pelo ofensor, isso o ajudará a liberar o perdão. Que Deus te capacite, cure o seu coração e te abençôe poderosamente. 


Referencias:

SUBIRA, Luciano. Compreendendo o perdão. Disponível em: http://www.orvalho.com/ministerio/estudos-biblicos/compreendendo-o-perdao-por-luciano-subira/ Acesso em: 27 abr. 2019.

MOUCARRY, Chawkat. Perdoar como o Senhor perdoou. Disponível em: http://ultimato.com.br/sites/maosdadas/2016/01/22/estudo-biblico-perdoar-como-o-senhor-o-perdoou/ Aceso em 27 abr. 2019.


segunda-feira, 22 de abril de 2019

A alegria na santidade


Esse é o último capítulo do livro A busca da santidade, dessa forma, chegamos ao fim dos fichamentos desse livro e, espero que tenha sido proveitoso para os que leram e seja para os que ainda irão ler.

Deus pretende que a vida cristã seja uma vida de alegria, não de tédio. A ideia de que santidade anda associada a uma disposição sombria é uma caricatura do pior tipo. De fato, acontece exatamente o contrário. Só aqueles que andam em santidade experimentam  verdadeira alegria.

Jesus disse: "Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim, como tenho obedecido aos mandamentos de meu Pai e em seu amor permaneço. Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja com vocês e a alegria de vocês seja completa"(Jo. 15, 10-11). Nesta afirmação, Jesus liga obediência com alegria, numa relação de causa e efeito; isto é, a alegria resulta da obediência. Só os que são obedientes, que buscam a santidade como estilo de vida, conhecerão a alegria que vem de Deus.

A verdadeira alegria só vem de Deus e ele partilha dessa alegria com os que andam em comunhão com ele. Quando Davi cometeu os terríveis pecados de adultério e assassinato, perdeu o seu senso da alegria de Deus, por ter perdido a comunhão com Deus. Depois disso, na sua oração de penitência, pediu a Deus: "Restitui-me a alegria da tua salvação" (Sl. 51,12). Uma vida de desobediência não pode ser uma vida de alegria.

A experiência diária do amor de Cristo está ligada à nossa obediência a ele. Isto não significa que o seu amor seja condicionado pela nossa obediência. Isso seria legalismo. Mas a nossa experiência do seu amor depende da nossa obediência. Outra causa da alegria é saber que estou obedecendo a Deus, que já não estou resistindo-lhe em alguma área específica da minha vida. Essa alegria torna-se particularmente evidente quando, após uma longa luta entre o Espírito e a nossa natureza pecaminosa, resolvemos final e radicalmente, pela sua graça, o problema dum pecado que nos assediava e nos dominava. Podemos chamar-lhe a alegria da vitória; eu prefiro chamar-lhe a alegria da obediência.

A Alegria não somente resulta de uma vida santa, mas há também um sentido em que a alegria ajuda a produzir uma vida santa. Neemias disse as desanimados exilados que tinham voltado a Jerusalém: "A alegria do Senhor é a vossa força. (Nm. 8,10). O cristão que vive em desobediência vive também privado de alegria e esperança, mas quando começa a entender que Cristo o libertou do reino do pecado, quando começa a ver que está unido àquele que tem todo o poder e autoridade, e que é possível andar em obediência, então começa a ter esperança.

É evidente que Deus não nos mandou ser santos sem providenciar os meios para tal. O privilégio de sermos santos é nosso, e a decisão e responsabilidade de sermos santos são nossas. Se fizermos essa decisão, experimentarmos a plenitude de gozo que Cristo prometeu àqueles que vivem em obediência a ele.


Referência:

BRIDGES, Jerry. A alegria da santidade. In:____. A busca da santidade. Brasília, DF. Ed. Monergismo, 2013. cap. 17, p. 161-165.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Santidade num mundo ímpio


Fichamento do capítulo 16 do livro A Busca da santidade de Jerry Bridges.

Todos os crentes devem viver a sua vida cristã no contexto de um mundo ímpio. Alguns enfrentaram tentações tremendas, quando vivem no meio duma atmosfera abertamente pecaminosa. O estudante no dormitório da universidade, o homem ou mulher numa base militar, ou a bordo de um navio, precisa muitas vezes viver num ambiente poluído com sensualidade, dissolução e lascívia. O homem ou mulher de negócios está muitas vezes sujeito a tremendas pressões para comprometer os padrões éticos e legais, com vista a satisfazer a avareza e desonestidade doutros sócios. A não ser que o cristão esteja preparado para tais assaltos do mal à sua mente e coração, terá grande dificuldade em manter sua santidade pessoal.

Como o crente deve responder quando se encontra rodeado pelas incessantes pressões dum mundo pecaminoso? Vemos claramente na oração do Senhor que ele não pretende nos retirar do contato com o mundo de não cristãos (Jo 17,15). Pelo contrário, ele disse que devemos se "sal da terra"e "luz do mundo" (Mt. 5, 13-14). Os autores do Novo Testamento partem do princípio que os cristãos viveriam no meio dum mundo ímpio (veja passagens como 1Co. 5,9-10; Fp. 2,14-15; 1Pe. 2,12 e 3,15-16).
E a Bíblia nunca nos diz que será fácil viver num ambiente ímpio. Pelo contrário, avisa-nos que devemos esperar o ridículo e as ofensas (1Pe. 4,3-4; Tm. 3,12; Jo. 15,19).

Em vez de nos retirar do contato com o mundo, devemos procurar resistir à sua influência. Para isso, precisamos, em primeiro lugar, resolver viver de acordo com as convicções que Deus nos tem dado pela sua Palavra. As convicções que desenvolvemos sobre a vontade de Deus para uma vida santa devem ser suficientemente sólidas para aguentarem o ridículo dos ímpios e as pressões que põe sobre nós para que nos identifiquemos com os seus caminhos perversos.

Um bom reforço para vivermos de acordo com as nossas convicções é o de nos identificarmos abertamente com Cristo, onde quer que nos encontremos. Isso deve ser feito de forma delicada, mas definida. No entanto, embora, viver no mundo em harmonia com as convicções que Deus nos tem dado pela sua Palavra, e abertamente nos identifiquemos com Cristo, mesmo assim continuamos muitas vezes sujeitos à poluição dum ambiente ímpio.

A Bíblia é a nossa melhor defesa contra essa poluição. Davi disse: "como o jovem guardará puro o seu caminho? Vivendo de acordo com a tua Palavra" (Sl. 119,9). A Bíblia purificará a nossa mente da poluição do mundo, se meditarmos nos seus ensinos. Servirá também como exortação contínua para que não sucumbamos às frequentes tentações no sentido de tolerarmos que os nossos olhos e pensamentos partilhem da imoralidade que nos rodeia.

Como "luz do mundo" nós somos os portadores das boas novas de salvação. O próprio Jesus é a verdadeira luz, e como se disse a respeito de João Batista, nós devemos também ser "como testemunha, para testificar acerca da luz" (Jo. 1,7-9). Um cristão que dá testemunho num espírito de genuína preocupação pelos outros não será facilmente corrompido pela imoralidade dessa pessoa. E, através dum interesse generoso e carinhoso, talvez consiga ganhar essa pessoa para o Salvador.

Manter uma santidade pessoal num mundo perverso é, sem dúvida, difícil. As sugestões anteriores não pretendem fazer parecer fácil este problema, mas sim dar alguma ajuda prática para um problema difícil. Acima de tudo devemos olhar para Jesus que, embora comesse com publicanos e pecadores, era "santo, inculpável, puro, separado dos pecadores exaltado acima dos céus (Hb. 7,26). E devemos nos agarrar à sua promessa que "não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; Ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele mesmo lhes providenciará um escape, para que o possam suportar (1Co. 10,13).


Referência:

BRIDGES, Jerry. Santidade num mundo ímpio. In:____. A busca da santidade. Brasília, DF. Ed. Monergismo, 2013. cap. 6, p. 153-159.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Hábitos de santidade


Como nos textos anteriores esse é mais um fichamento de um dos capítulos do livro A busca da santidade.

Quanto mais pecamos, mais somos inclinados a pecar. Cada pecado que cometemos reforça o hábito de pecar e torna mais fácil pecar. Por isso a importância de guardarmos a mente e as emoções, uma vez que essas faculdades constituem os canais através dos quais as várias forças impulsionadoras chegam à nossa vontade. É, no entanto, igualmente importante que entendamos como é que os nossos hábitos influenciam a nossa vontade.

O hábito é definido como "disposição ou caráter dominante dos pensamentos e sentimentos de uma pessoa". Os hábitos são os padrões de pensamentos e emoções gravados na nossa mente. Esses padrões internos de hábitos exercem tanta pressão nas nossas ações como as influências externas - de fato, talvez ainda mais.

Quando éramos incrédulos, entregávamos-nos à formação de hábitos de impiedade, aquilo a que Paulo chamou "maldade que leva a maldade" (Rm. 6,19). Cada vez que pecamos , cada vez que fomos sensuais, que cobiçamos, que odiamos, que enganamos ou mentimos, estávamos desenvolvendo hábitos mais ímpios. Esses atos repetidos de injustiça tornaram-se hábitos que nos fizeram, de fato, escravos do pecado.

Agora, porém, declarou Paulo, assim como antes nos entregávamos a esses hábitos perversos, devemos entregar-nos à formação de hábitos de santidade (Rm. 6,19). Devemos despojar-nos do nosso velho homem, da nossa, disposição pecaminosa e seus hábitos, e revestir-nos do novo homem, com o seu caráter e hábitos de santidade. Treinarmo-nos em santidade (1Tm. 4,7) é disciplinarmos e estruturarmos a nossa vida de modo a desenvolvermos hábitos piedosos. O abandono desses hábitos pecaminosos é aquilo a que Paulo chama mortificação, ou morte, das obras do corpo (Rm. 8,13).

A destruição de hábitos pecaminosos deve ser levada a cabo em cooperação com o Espírito Santo, e em dependência dele. A determinação de que "nunca mais farei isso" baseada na simples resolução humana, jamais quebrou os grilhões do pecado. Há, contudo, princípios práticos que podemos seguir para nos disciplinarmos em santidade.

O primeiro princípio é que hábitos são adquiridos e reforçados por repetição frequente. Outra definição de hábito é um "padrão de conduta adquirido por repetição frequente". Esse é um princípio que está na base de que quanto mais pecamos mais somos inclinados a pecar. Mas o oposto também é verdade. Quanto mais dizemos não ao pecado, mais somos inclinados a dizer-lhe não.

O segundo princípio para acabar com hábitos pecaminosos e adquirir outros novos é nunca permitir exceções. Quando consentimos exceções, estamos reforçando os velhos hábitos, ou falhando em reforçar o novo. Nesse ponto devemos nos alertar contra o tipo de pensamento "só mais uma vez", que constitui uma armadilha sutil e perigosa.

O terceiro princípio é que é preciso diligência em todas as áreas para assegurar êxito numa certa área. Poderemos achar que um determinado hábito "não é tão mau assim" mas se continuamente cedermos a esse hábito, enfraqueceremos a nossa vontade contra os assaltos da tentação vindos de outras direções. É por isso que se torna tão importante que formemos hábitos de autodomínio sobre os nossos apetites, mas essa atitude enfraquece a vontade em todos os outros aspectos da nossa vida.

Finalmente, não fique desanimado com o fracasso. Há uma grande diferença entre falhar e tornar-se um fracassado. Tornamo-nos fracassados quando desistimos, quando deixamos de tentar. Mas enquanto estivermos trabalhando no sentido de vencer esses hábitos pecaminosos, independentemente do número de vezes em que falhemos, não nos tornaremos fracassados e poderemos esperar ver progresso.

Referência:


BRIDGES, Jerry. Hábitos de santidade. In:____. A busca da santidade. Brasília, DF. Ed. Monergismo, 2013. cap. 6, p. 139-143.

sábado, 30 de março de 2019

Santidade no Espírito


Nesse texto vamos abordar a santidade no Espírito, mais um fichamento de um dos capítulos do livro A busca da santidade.

Os nossos pensamentos são tão importantes para Deus como são nossas ações, e são tão conhecidos por Deus como as nossas ações. (Sl. 139, 1-4 ; 1Sm. 16,7). Jesus ensinou-nos no Sermão da Montanha que os mandamentos de Deus visam não só regular a conduta externa, mas também a disposição interna. Não basta não matarmos; é preciso que também não odiemos. Não basta que não cometamos adultério; é preciso que nem mesmo abriguemos olhares e pensamentos sensuais.

Da mesma maneira que devemos aprender a controlar os nossos apetites, também precisamos aprender a trazer o nosso pensamento em obediência a Jesus Cristo. De fato, Paulo alerta-nos contra tentativas mal orientadas, e erradamente motivadas, de controlar o corpo, que deixam o nosso pensamento sem freio (Cl.2,23). É possível refrear os apetites naturais do corpo, externamente, e continuar cheio de todo o tipo de poluição interna.

A Bíblia indica que o nosso pensamento determina, em última análise, o nosso caráter. Salomão disse: "porque, como imagina sua alma, assim ele é" (Pv. 23,7). É devido à importância do nosso pensamento que Paulo afirma: "finalmente, irmãos tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for de boa fama, se houver algo excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas (Fl. 4,8).

Como cristãos, não devemos nos conformar mais com o padrão deste mundo, mas antes renovar a nossa mente (Rm. 12, 1-2; Ef. 4,23; 1Pe 1,14). A santidade começa na nossa mente e se expressa nas nossas ações. Como isso é um fato, aquilo que nós deixamos entrar na nossa mente é muitíssimo importante.

Um estímulo a pensamentos impuros aos quais devemos estar alertas é o que os nossos olhos veem. Jesus alertou-nos contra o olhar sensual (Mt. 5,28). Jó fez um concerto com os seus olhos (Jó 31, 1). O olhar sensual de Davi foi quase fatal para a sua vida espiritual (2 Sm. 11,2). Não devemos guardar apenas os nossos olhos; precisamos velar para que nós não sejamos fonte de tentação para outros. Por essa razão, exige-se modéstia de vestuário e ações, tanto a homens como a mulheres (1Tm. 2,9; 5,2).

Numa das suas epístolas, Paulo enumerou alguns atos da natureza pecaminosa. Essa lista incluía a poluição do corpo, imoralidade sexual, impureza, dissolução, bebedeira, orgias e coisas do gênero. Outros elementos contantes da lista poluem o espírito: ódio, discórdia, ciúme, acessos de raiva, ambição egoísta, etc. Precisamos nos purificar não só dos pecados grosseiros do corpo, mas também dos pecados mais "aceitáveis do espírito".

Eis de novo um ponto onde nós, cristãos, temos falhado muitas vezes, e terrivelmente. Focando a nossa atenção sobre a lista específica dos "faças - não faças" do grupo, negligenciamos a vida interior, onde a inveja, o orgulho, a amargura e um espírito crítico e ressentido podem reinar sem impedimentos.

O espírito de inveja foi a raiz da guerra incessante que o rei Saul moveu contra Davi. A princípio, Saul estava muito contente com Davi e o colocou sobre os seus exércitos. Um dia, porém, Saul ouviu as mulheres de Israel cantar: "Saul matou milhares, e Davi, dezenas de milhares (1 Sm. 18,7). Saul ficou enraivecido por elas atribuírem dezenas de milhares a Davi, e só milhares à ele. A Bíblia diz então: "Daí em diante Saul olhava com inveja para Davi" (1 Sm. 18,9). Deus colocou cada um de nós no corpo de Cristo, conforme lhe agradou (1 Co. 7,17). A alguns Deus destinou um lugar de proeminência , a outros um lugar obscuro; a alguns designou um lugar de riqueza, a outros um lugar de luta diária para a satisfação das necessidades.

A cura para o pecado da inveja e ciúme está em encontrarmos o nosso contentamento em Deus. No Salmo 73, Asafe sentia inveja dos ímpios ao ver a sua aparente prosperidade (v.3). Achava que a sua busca duma vida santa era vã (v.13). Só quando conseguiu dizer ao Senhor "e na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti." (v.25) é que foi liberto do pecado da inveja.

Todas essas atitudes, inveja, ciúme, amargura, um espírito vingativo e incapaz de perdoar, e um espírito de crítica e maledicência, maculam-nos e impedem-nos de sermos santos diante de Deus. São tão perversos como a imoralidade, a bebedeira e a dissolução. Por isso, precisamos nos esforçar com diligência no sentido de arrancarmos da nossa mente essas atitudes pecaminosas. Muitas vezes não temos consciência de que nossas atitudes são perversas. Encobrimos esses pensamentos poluídos, sob o disfarce de justiça e indignação correta. Mas precisamos pedir diretamente ao Senhor que nos dê humildade e honestidade para ver essas atitudes pecaminosas como elas realmente são e, depois, a graça e disciplina necessárias para as arrancarmos da nossa mente e as substituirmos por pensamentos que agradam a Deus.


Referência:

BRIDGES, Jerry. Santidade no Espírito. In:____. A busca da santidade. Brasília, DF. Ed. Monergismo, 2013. cap. 6, p. 123-130.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Santidade no corpo

Como os textos anteriores, esse também será um fichamento de um dos capítulos do livro A busca da santidade de Jerry Bridges.

A verdadeira santidade inclui domínio sobre o nosso corpo e apetites físicos. Se quisermos seguir a santidade, precisamos reconhecer que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo e que devemos glorificar a Deus com ele.

O nosso corpo físico e apetites naturais foram criados por Deus e não são pecaminosos em si. Contudo, se os deixarmos sem controle, verificaremos que os nossos corpos se tornam "instrumentos de injustiça" (Rm. 6,13). Estaremos seguindo a "cobiça da carne" (1 Jo 2,16), em vez de a santidade. Se nos examinarmos atentamente, podemos verificar quantas vezes comemos e bebemos só para satisfazer o desejo físico; quantas vezes ficamos na cama de manhã, simplesmente porque não nos apetece levantar quando devíamos; quantas vezes cedemos a olhares e pensamentos imorais, simplesmente para satisfazer o instinto sexual pecaminoso que se desenvolveu em nós.

O apóstolo Paulo enfatizou a necessidade de mantermos os nossos apetites e desejos naturais sob controle. Ele referiu-se ao seu corpo como adversário, como o instrumento através do qual os apetites e as paixões, se deixados à vontade, lutariam contra a sua alma (1 Co. 9,27). Paulo estava resolvido a transformar o seu corpo, com esses apetites, em seu escravo, não em seu senhor.

Noutro ponto, Paulo insistiu no sentido de que apresentássemos os nossos corpos em sacrifício vivo e santo agradável a Deus, e que não nos conformássemos com este mundo (Rm. 12, 1-2). É muito possível que não haja maior conformidade com o mundo, entre os cristãos evangélicos de hoje, do que na maneira em que nós, em vez de apresentarmos os nossos corpos como sacrifício santo, os mimamos e entretemos em desafio ao nosso melhor julgamento e nosso propósito cristão na vida.

O hábito de ceder sempre ao desejo de comida ou bebida estender-se-á a outras áreas. Se não conseguimos dizer não a um apetite exagerado, teremos dificuldade em dizer não a pensamentos sensuais. Deve haver uma atitude de diligente obediência em todas as áreas da vida, se realmente queremos mortificar qualquer expressão de pecado. 

Juntamente com pecados do corpo tais como imoralidade sexual, impureza, lascívia e desejos perversos, Paulo menciona também a avareza, que, afirma ele, é idolatria. (Cl. 3,5). Embora avareza se manifeste muitas vezes na sua forma básica, o puro amor ao dinheiro pelo dinheiro, mais frequentemente pode ver-se naquilo a que chamamos materialismo.  O materialismo luta contra as nossas almas, de uma forma dupla. Primeiro, torna-nos descontentes e invejosos em relação aos outros. Segundo, leva-nos a mimarmos e a cedermos ao nosso corpo, de modo que ficamos moles e preguiçosos. Quando ficamos moles e preguiçosos em nossos corpos, tendemos a tornar-nos igualmente moles e preguiçosos espiritualmente.

Quando Paulo falou sobre reduzir o seu corpo reduzir o seu corpo a escravo, de maneira que, depois de ter pregado aos outros, ele próprio não viesse a ser desqualificado, ele não estava pensando em desqualificação física, mas espiritual. Ele sabia bem que a moleza física leva, inevitavelmente, à moleza espiritual.  Quando o corpo é mimado e levado ao exagero, os instintos e paixões do corpo tendem a crescer e a dominar os nossos pensamentos e ações. A nossa propensão é, portanto, não fazer o que deveríamos, mas o que queremos, quando obedecemos aos desejos da nossa natureza pecaminosa.

O segredo para começar a controlar a força dos nossos apetites físicos é reduzir as oportunidades de tentação. As nossas concupiscências são fortalecidas pela tentação. Quando uma tentação razoável se nos apresenta, as nossas concupiscência parecem receber novo vigor e poder. Paulo teve palavras definidas de instrução para nós, sobre este assunto. Diz-nos ele: "fuja dos desejos malignos da juventude" (2 Tm. 2,22). Algumas tentações vencem-se melhor pela fuga. Paulo disse também: "não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne" (Rm. 13,14). Não planeje de antemão, nem faça provisões quanto à maneira de ceder aos apetites do seu corpo.

Deus espera que assumamos a nossa responsabilidade em manter sob controle os desejos pecaminosos do corpo. É verdade que não podemos fazer na nossa própria força. Os nossos desejos pecaminosos, estimulados por todas as tentações que nos rodeiam, são demasiado fortes para nós. No entanto, embora não possamos fazer isso sozinhos, podemos fazê-lo. Quando nos propomos a realizar essa tarefa na dependência do Espírito Santo, vemos que Ele trabalha em nós. Falharemos muitas vezes, mas, com perseverança, seremos capazes de dizer como Paulo: "tudo posso naquele que me fortalece" (Fp. 4,13).


Referência:

BRIDGES, Jerry. Santidade no corpo. In:____. A busca da santidade. Brasília, DF. Ed. Monergismo, 2013. cap. 11, p. 115-121.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Mortificando o pecado


Assim como no texto anterior, farei novamente um fichamento de um dos capítulos do livro A busca da santidade de Jerry Bridges. Nesse texto de hoje será abordado a mortificação do pecado.

O Novo Testamento não deixa qualquer dúvida de que a santidade é da nossa responsabilidade. 
Aquilo que devemos fazer é mortificar as obras do corpo. (Rm. 8,13). Paulo serve-se da mesma expressão em Colossenses 3,5: assim façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de você. O que significa a expressão "façam morrer"? De acordo com o dicionário fazer morrer ou mortificar significa "destruir a força, a vitalidade ou o funcionamento; dominar ou amortecer." Fazer morrer as obras do corpo é, portanto, destruir a força e a vitalidade do pecado quando ele tenta reinar no nosso corpo.

A mortificação deve ser realizada pela força e a direção do Espírito Santo, mas todavia ela é uma obra que nós devemos fazer. A pergunta crucial então é esta: "como é que destruímos a força e vitalidade do pecado? Se realmente queremos realizar essa difícil tarefa temos que primeiramente ter convicção. Precisamos estar persuadidos que a vontade de Deus duma vida santa para cada cristão é importante. Devemos acreditar que a busca de santidade é digna do esforço e dor que são necessários para mortificar as obras do corpo. Precisamos estar convencidos que sem "santidade (santificação) ninguém verá o Senhor". (Hb. 12,14).

Não só devemos desenvolver uma convicção por viver uma vida santa em geral, mas precisamos, igualmente desenvolver convicções em áreas específicas de obediência. Estas convicções formam-se e desenvolvem-se quando nos expomos a Palavra de Deus. A nossa mente está há muito acostumada aos valores do mundo. Mesmo depois de nos convertermos, o mundo à nossa volta procura constantemente nos levar a ajustar-nos ao seu sistema de valores. Somos bombardeados de todos os lados por tentações no sentido de condescendermos com a nossa natureza pecadora. Por isso, Paulo diz: "não deixem que o mundo ao seu redor vos modele em seu próprio molde, mas deixem que Deus os refaça, de maneira que toda a atitude da vossa mente se transforme". (Rm. 12, 2)

A pergunta que devemos fazer numa busca séria de santidade é esta: estou disposto a desenvolver convicções a partir das Escrituras e viver de acordo com elas?" É muitas vezes aqui que surge o problema. Hesitamos em enfrentar o padrão de santidade de Deus numa área específica da vida. Sabemos que fazê-lo irá exigir obediência que não estamos disposto a dar. Isso levo-nos à segunda qualidade que devemos desenvolver, se queremos mortificar as obras do corpo. Essa qualidade é compromisso. Toda vez que dizemos "sim" a tentação, tornamos mais difícil dizer "não" da próxima vez. 

É só aprendendo a negar a tentação que alguma vez poderemos mortificar as obras do corpo. Aprender isso é geralmente um processo lento e doloroso, sobrecarregado de muito fracasso. Os nosso velhos desejos e os nossos hábitos pecaminosos não se desalojam facilmente. Para acabar com ele é preciso persistência, muitas vezes em face de pouco resultado, mas esse é o caminho que devemos trilhar, não importa quão doloroso seja.


Referência:

BRIDGES, Jerry. Mortificando o pecado. In:____. A busca da santidade. Brasília, DF. Ed. Monergismo, 2013. cap. 6, p. 91-102.